sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Sorriso Franco

(foto pessoal Cataratas do Iguaçu PR)

Ela tinha o cuidado extremo de não melindrar o coração das pessoas. Esse era o seu jeito fraterno de ser.
Seu apelido era docinho de coco, dado pelo seu neto do meio.
Que missão bonita era tornar-se mãe e avó!
Seus filhos estavam crescidos, ela havia ficado só. Seus meninos vivem suas próprias vidas, precisava deixá-los viver livres a construírem seus mundos na paz e na alegria sem que ela fosse um empecilho para eles.
Alugou um quarto num pensionato de religiosas, foi lá viver.
Perdia-se, diariamente, em suas recordações.
Sempre fitava muitas fotos, colecionava-as desde os herdeiros pequeninos, quando ela começou a trabalhar.
O curioso é que tinha traços da sua fisionomia de jovem, mas tinha crescido bastante em valores cultivados, com lágrimas, desafios superados.
Era desapegada a ponto de nada ter a não ser o seu amor em prontidão perene aos seus amados. Não lhes faltava jamais.
Seu coração jorrava amor, seu papel nesse mundo o havia, diligentemente, aceito. Ora por outra, lá estava ela, novamente a se perder em recordações do tempo vivido junto aos seus, que enchiam, plenamente, seu coração terno, dedicado de mãe avó.
Sendo assim, fitava suas fotos com dor de saudade, mas com alegria da missão cumprida,  num misto de sentimentos diversos que mesclavam seus dias, contristando seu coração algumas vezes, entretanto deixando-a com a consciência reta, mesmo diante de algumas acusações que lhe feriam à alma sofrida.
Quem a conhecia, mais profundamente, via nela a imagem da solitude perene, alguns não entediam porque ela sempre tinha um sorriso aberto, delicado, mesmo quando percebiam que ela nada mais tinha, nem mobília, exageros, supérfluos.
Praticamente nada, só muito amor no coração e nostalgia na alma.







quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Coração Pulsante


(foto pessoal Niterói RJ)


Um coração tristonho, cantante, pulsava nele o ardor da juventude. Soavam dele notas musicais ternas e envolventes. Dele, saíam sons róseos, felizes, harmoniosamente colocados numa pauta de vida.

Traçava planos para o futuro, minuciosamente esculpidos.

Combatente em forma de notas musicais crescentes em harmonia. Entendida e cheia de sabedoria era seu coração frutífero.

Vibrava, em  uníssono, nem acorde perfeito e eloquente.

Destoava-se por pouco tempo, logo retornava o seu ritmo, enfileirava-se na pauta do dia a dia, serenamente.

Coração perfeito, donde quer chegar assim tão tranquilo e pulsante?

Bate, coração! Retome sua melodia de outrora.

Cante, coração! Traz para si as notas destoantes das ciladas armadas e incandescentes.

Encaixe-as, harmoniosamente, como só você sabe fazer, dizia ela ao amigo.

Se do Alto lhes vêm a Força, quem poderá os abater?









quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Valor Nutritivo

 

(foto pessoal Emboacica Anchieta ES)


Gosta muito de viver. 

Com algumas décadas de vida, procura se alimentar bem.
Muitas pesquisas apontam o valor nutritivo dos ovos.
Come ovos sempre. Inclui no cardápio diário.
A vida pode ser longa, procura se cuidar para dela desfrutar com passeios, boas amizades, uma  boa alimentação propicia uma vida mais longa e sorrisos espontâneos nos lábios.
Pesquisas apontam que ovos reduzem o estresse, a ansiedade, melhora o humor e a qualidade do sono.




terça-feira, 4 de novembro de 2025

Amor é Poema

 

(foto pessoal Santa Teresa ES)


Não se pode evitar a tristeza quando o coração transborda de amor, anseia viver e não pode se dar vazão.
Estar  bem, atrai coisas boas para ela, esboça um sorriso num rosto radiante.
Em sua confiança, cumplicidade, ela se deixa fazer feliz.
Permite ser cuidada como só os que se  amam sabem.
O amor é um poema no cuidado diário, no questionar se o outro está bem, quando vem tranquilizá-la falando seu real estado de ânimo.
Ambos saltitantes, abraçadinhos, cantando juntinhos, felizes, mãos entrelaçadas, força no querer, pezinhos juntos se acarinhando, velando o sono, com carinho de anjo guardião.
Ao acordar, tudo fica bem, emoção no beijo na testa, nos olhos, no carinho, no abraço apertadinho dando o melhor de si, enlaçando o coração um do outro.
Dormir, acordar feliz e leve no aconchego é uma declaração intensa e sincera do sentimento em vulcão, derrubando medos, mexendo com toda a sua anatomia.
Saborear o prazer de estar viva e ativa é uma sensação que ninguém pode viver por ela, sabendo que os desejos e sonhos são todos dela.
Segurar nas mãos, abençoar, união de quereres sem fim.







domingo, 2 de novembro de 2025

Da Infância à Maturidade

 


(foto pessoal Emboacica Anchieta ES)



Desde menina,  adorava chegarem às férias ou datas mais longas comemorativas para saírem de viagem ao interior do Espírito Santo com seu pai amado.

Gostava de atravessar a pé, porteiras de madeira que eram postas também  para animais como bois, vacas ou bezerros não passarem.

Na entrada do sítio, um córrego limpinho ia com ela em paralelo, atiçando o gosto que já tinha pela água de um modo em geral, sendo ainda pequenina.

Ao adentrar na varanda, seus sonhos iam sendo aguçados cada vez mais.

O que se sucederia desta vez? Teria o doce de tomate que ela e outros meninos da fazenda iriam colher nos pés em tom de brincadeira? A senhora, dona da casa,  faria os biscoitos no fogão à lenha, a manteiga batida na garrafa até se condensar o leite será que teria?

Brincariam os infantes na varanda grande de pega varetas e outras diversões não informatizadas?

Ficaria contemplando curiosa e caladinha as moças ralando coco e abóbora no riacho para fazerem doces saborosos caseiros?

E a missa dominical? Que lindo era pôr seus vestidinhos da cidade de tecido brocado para, com toda devoção e de véu branco na linda cabeleira cacheada, ir rezar! Ia toda prosa e dengosa receber sua Eucaristia com apenas oito aninhos e muita fé já tinha.

Era pequeno o povoado, cercado de morros esverdeados, como num aro de aconchego, num círculo de ternura que alimentou sua alma até o adormecer dos seus dias.

Até hoje, quando vai à roça, se extasia e fica sentada na grama olhando jardins, pássaros, gados, ar puro respirando, no alcance do seu olhar abraça um cenário inspirador.



Cinderela Noite e Dia


(foto pessoal Isla de la Canela Espanha)


Uma mulher lutava por causas perdidas, desconhecia a palavra recompensa em seus atos. Caminhava entre dúvidas internas ou externas, Sorria e chorava, contraproducente nas alegrias e tristezas. Cancelava sonhos em prol dos mais amados.  Acreditava e esperava além das aparências. 

Era forte e fraca, dependendo das circunstâncias. Caía em poços, afundava-se na lama. Emergia pela Bondade Divina! 

Perdia-se em palavras, nem todas inúteis. Era frágil, falante, fugaz. Distribuía, com amor, emoções. Pena que se perdiam, na maioria das vezes, pelos demais.  Dava tudo de si, distribuía sorrisos, sentimentos. Nunca se sentia desmoronada totalmente. Tinha Deus a lhe embalar e a lhe soerguer, lhe integrando como se fosse única, inteira, uma muralha intransponível para mentiras, para desamor, para o não querer. 

Perdoava porque amava, Deus a fez assim por sua herança paterna. Tentava se recuperar do que não parecia recuperável. Entendia porque amava mesmo sabendo que ninguém se preocupa em compreender, o que se assemelha a um mistério sem fim. Agradecia, fazia-se mister! 

Emprestava, doava, ia além das medidas padronizadas, até mesmo ao amor do mundo, que é tão finito. Chorava por amor, por ser amada, por não ser. Esperava um recomeço pois todos, se não vamos por amor, vamos pela dor um dia ou outro. 

Apesar de: dissabores, desilusões, traições, decepções, conquistava e era conquistada. Vivia, ardentemente,  como mulher, vivia intensamente todas fases como a lua. Nunca esquecia o quê e a quem amava. 

Sua missão é cicatrizar feridas enquanto as suas iam sangrando dentro do seu peito. Ninguém se empenhava em vê-las. Era bálsamo por palavras, ao menos. 

Tinha muito de princesa, dizem que era especial, mas, para ela, era apenas mulher/menina, era flor e orvalho. Chorava calada, sorria outro tanto num misto dentro e fora de dela.  Tropeçava, caía, voltava, andava. 

Não era mulher maravilha, mas Cinderela noite e dia.





sábado, 1 de novembro de 2025

Apreciadora Campestre

(foto do filho Santa Catarina SC)



Tinha um sonho bonito que guardava desde a juventude no refúgio secreto do seu coração.

Era uma mulher batalhadora e trabalhou muito até o tempo em que podia realizar seu desejo onírico.

Como admiradora do campo, escolheu com calma um belo ranchinho onde o casal de velhinhos havia ido morar com filhos na capital e resolveu se desfazer daquela pérola campal.

Quando foi conhecer o aconchegante vilarejo, já se apaixonou pela calma do lugar.

O cenário era admirável. Arrancou suspiros em seu coração enamorado pelas coisas do interior.

Sabia que teria poucos vizinhos, não teria problema. Ao menos com três poderia partilhar seus bolinhos de milho, um café quentinho feito no fogão à lenha atrás do casebre que iria reformando aos poucos, sem pressa e de acordo com suas possibilidades financeiras.

Ao redor, tinha uma árvore muito alta que a fazia lembrar das cerejeiras de Itapecerica da Serra, onde passara dias de imensa alegria e revestida de muito Amor do amado do seu coração.

Em suas raízes quase expostas, havia um canteiro de rosas, entremeadas com onze horas e margaridas das pequeninas e brancas. Miosótis davam um toque especial.

A vida estava se transformando em cor-de-rosa. Num rosado tênue, de beleza extraordinária. Um doce encanto para seu olhar contemplativo.

Quando à tarde, sentada na rede, admirava a natureza, via tudo com muita ternura e gratidão. Realmente, valera a pena ter esperado tanto para realizar seus ideais da juventude. Estava  vivendo um momento feliz da sua vida até o final dos seus dias, sozinha e Deus. 



Coração Rosado

Sai a caminhar, sabia de antemão, o encontro tão esperado, aconteceria naquele dia, seria um momento de muita emoção, iria espreitar  à dire...