Ângela e Marília sabiam que as dezenas de anos estavam se acumulando, dia após dia e não lhes causava estranhamento algum.
Não fossem alguns contratempos tipicos da idade, nada as tirava do sério em alguns momentos.
Ambas tinham filhos distantes, cada qual com suas famílias constituídas.
Visitavam ou eram visitadas por eles e seus netos.
Tudo era normal como boas vizinhas do mesmo edifício.
Não incomodavam uma à outra, partilhavam quitutes, tomavam cafezinho juntas, iam aos médicos juntas e ainda passeavam para espantar males próprios dos anos idos, após consultas e exames que se avumulavan. Uma dava força à outra.
Estranhamento para elas era ver pessoas se digladiando por nada... gente sem noção reclamando de tudo (inclusive do calor ou do frio) sem aproveitarem os últimos anos de vida.
Como estranhar a cordialidade, a amizade, a boa convivência da vizinhança? Jamais! Aliás, eram ambas viúvas e os demais dois vizinhos do andar eram casal também de ídolos, mas eram pares.
Estranhamento sem noção é a falta de amor ao próximo..

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