segunda-feira, 13 de julho de 2026

Perspicácia

 

(foto pessoal Portugal)



Pâmela vivia num cenário bélico, havia destruição por toda parte. Sentia uma decepção tão grande com o ser humano, era um misto de sensação variada que tentava lhe abater.

Olhava ao seu entorno e via destroços na sociedade e  nas pessoas.
Foi até uma igreja para ter um momento a sós com seu Criador. Precisava de raciocínio sobre as coisas doravante. Era urgente separar, dividir, decidir o certo do errado. Discernir era importante pois suas escolhas fariam parte do seu futuro próximo. Necessitava fazer um Projeto de Vida.
Mesmo debaixo de escombros, colocou seu véu de renda de bilros. Não lhe protegeria de um provável ataque, mas se sentiu mais segura na sua intimidade com o Onipotente.
Com seus cabelos desgrenhados, olhos esbugalhados de tanto prantear, pôs-se firme a orar sob sua mantilha de renascença herdada de sua falecida avó no último ataque.
Passou um bom tempo como num deserto, foi suficiente para acalmar um pouco seu coração tão sofrido e enlutado. Estava tão exposta a uma infinidade de problemas da última guerra.
Saiu dali crendo que distinguira o certo do errado, fez o mais sensato que lhe pareceu  um sopro divinal e iria assumir as consequências da sua escolha.
Sabia que havia adquirido a sabedoria necessária, indo embora dali, desnudou-se da seu manto chantilly, dirigiu-se a um jardim florido, precisava sentir o odor das mimosas a inebriar seu olfato tão acostumado com cheiro de enxofre na atualidade.
Teve perspicácia suficiente para não se deixar impregnar pelos conselhos alheios, muitas vezes impetuosos como se fossem donos da razão.
Doravante iria navegar por jardins de outros países. Veria novas flores inusitadas e desconhecidas, num clima mais ameno onde a natureza era promissora e sem o barulho infernal estrondoso das bombas. 
Afinal, o desabrochar dos botões nos jardins era tão silencioso e os sensíveis podiam desfrutar de uma beleza espetacular e de odor agradabilíssimo.
Em cada flor que contemplasse, reconheceria a experiência de discernimento que havia feito naquele resquício de igreja, num país tão distante onde jaziam, sob catacumbas improvisadas, seus familiares amados daquela contenda descomunal.



domingo, 12 de julho de 2026

Olhar de Esperança




Naquela família onde foram criada, Mariana refletiu sobre o  envelhecer, não queria  estar na condição de refugiada do tempo. Muito menos ser membro de uma manada, isolada. 
O comodismo em achar que tem tudo é mediado pelo apreço  à  natureza que lhe acentuava a simplicidade. 
Tem um.corpo que necessita de outras fomes além da material. 
Não tem vergonha de cometer deslizes, Não sabe tudo e não tinha deixado de ser boba, chegava a ser tola, idiota, às  vezes.
Mesmo com o tempo passando, esquecendo de algumas coisas, percebia que envelhecer não era só  aumentar a idade. Tinha que ter cuidado para não  carregar fardos pesados além do que podia suportar. 






 

sábado, 11 de julho de 2026

Fuga Livre



Ela era uma cirança obediente, desenvolveu um medo crônico e, consequentemente, uma disidrose, causada por estresse.
Desde a adolescência, tinha o sábado para faxinar a casa como a Gata Borralheira. A exigência pior era na hora dos móveis rútricos, estilo Luís XV, cheios de voltas para passar óleo em todas as curvas. Agachava-se, cansava bem, suava, tinha que sair tudo perfeito.
Outra tarefa bem puxada era passar o escovão no chão de cera vermelha que ela encerava, mais tarde teve enceradeira, aí facilitou, gostava de lustrar o piso, já com o taco.
Saia, literalmente, do estado dos contos de fada de criança para outro estadoo de alma.
Com um modo de vida de muita pressão, por exigência de nota dez em todas as disciplinas na escola e outras mais, por ser a mais velha, esteve à beira de uma revolta na explosão da adolescência. Não havia espaço para tal. Tinha que esperar a maioridade para a sua liberdade, pois nada podia fazer.
Na fase adulta, precisa manter a bondade, em meio aos maus tratos, não deve transferir seus traumas aos semelhantes. A esparança precisa ser, periodicamente, revisada.
Afinal, não pode ser dependente de um príncipe que a viesse libertar e lhe dar as mordomias que nunca teve.
Na maioridade, os encnatados não existem por aí dando sopa, os últimos dos moicanos estão comprometidos.
Aprendeu que saber limpar uma casa é tão importante como limpar sua alma (seu espírito) de tudo que desagrega. Faz o seu serviço doméstico com satisfação e sem nehuma intimidação.
Como ela reage ao que viveu?
Lendo e escrevendo é a catarse mais livre que ela reconhece e vive.



Sonho de Amor






Mais um dia saudosamente vivido. A poesia mata um tico da minha sede de ser amada, de te Amar.

Meu sonho de Amor,venha para mim, carinhosamente!

Ama-me sutilmente.

Quem me dera que chegasses ao meu lado, candidamente, sem peso e rede, livre e,  levemente, com carinhos  concernentes.

Meu sonho de Amor, viaja para mim, eternamente!

Acarinha-me docemente.

Venha matar minha sede, oniricamente, marca-me, imprima teu Amor em mim, deixa-me saciada com brandura, me ama docemente.

Meu sonho de Amor,  voa para mim, efusivamente!

Queira-me ternamente.

Peço aos anjos que façam sinfonia, eu proponho, que entre águas do córrego, pedras e jasmins, se faça como cortejar amantes, acendam-nos com chamas, ardentemente.

Meu sonho de Amor,  corra para mim, efetivamente!

Gosta-me intensamente. Visto que te necessito perdidamente.



quinta-feira, 9 de julho de 2026

Amor no Coração




Eu tenho momentos felizes, quer de dia, quer de noite, apesar de tudo que já passei.
Só em estar viva, acordar todo dia com o sol ou a chuva a me sorrir, poder respirar sem aparelhos, comer de tudo que me apetece, seja saudável ou menos fitness, ainda algumas guloseimas, ter boa digestão, caminhar pela orla, tomar banho de sol na praia, sentada livre e solitariamente para contemplar pela orla, tomar banho de sol  na praia, sentada livre e solitariamente para contemplar meu sagrado mar. 
Fazer as refeições sem problemas, no silencio, ouvir músicas, os jornais que gosto de ver, escrever outro tanto no dia a dia.
Descansar, se preciso for, dormir bem as horas que necessito à base de um gostoso chá de melissa somente, não tomar remédios fortes para nada na atualidade.
Tornar a acordar e revier tudo de  bom, ter ainda muito ânimo e generosidade.
Ñão posso mesmo reclamar. Tenho amor em meu coração. Quer coisa mais feliz?
Não se pode ter tudo. Eita recessão benéfica! Aprendo a viver com simplicidade, ser muito mais feliz e leve.
Ninguém tem tudo nem de material nem de espiritual.
A cada dia basta o seu mal.
A Providência divina não falha. Deus é Fiel!
Obrigada, Senhor, por tudo.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Minha Varanda

 


Uma paisagem simples e bonita tenho em frente de onde estou a escrever num final de semana de boas expectativas e paz na alma.
Minha varanda infiltrada com raios de sol no Outono bonito de céu azul, sem calor excessivo, me mostra exatamente que estou só aqui, recordo do tempo onde eu era acompanhada noutra varanda... tudo acabou.
Eu sorria espontaneamente, era feliz.
Agora, tenho outra sacada, também com algumas flores num dos cantinhos e os pássaros já não vêm mais me visitar na frequência como outrora, os bem-te-vi e meu bem-te-vi sumiram de mim, mas tenho poesia da mesma forma, nuances de verde, amarelo bordeando a espada de São Jorge, o roxinho de outra plantinha linda, elas me restauram mente e coração pouco a pouco...
Meu balcão é poema vivo  e me transporta à minha realidade aqui em busca de momentos ternos que sempre Deus me proporciona.
Coloquei uns panos de cozinha a quarar no solzinho... recordação de velhos tempos de quintal grande onde o anil tinha primazia de rei.
Não sei se ainda existe o antigo anil que tem significado afetivo para minha infância de contemplativa que sempre fui e olhava curiosa tudo ao meu redor, visto que têm outros produtos modernos clareadores.
Só sei que, lendo uma grande amiga, irmã de alma, nasceu esse post numa tardinha  de sábado, véspera de um domingo onde estarei com amigas passeando  por lugares rodeados de natureza bela e mar a fechar o dia que promete emoções múltiplas em amizades reais de bom tom.


terça-feira, 7 de julho de 2026

Injustiça



Era um homem desaforado, vivia criticando tudo e todos por onde circulava.
Todos o tratavam bem, com medo de caírem nas garras do ta disparatoso critiquento.
Era uma falsidade só a convivência com os demais e falação por trás que lhe caía bem como chuva em roça de milho. Enchuam sey ego e tudo terminava em pizza, como se costuma fazer na socuedade hipócrita.
A mulher sofria nas mãos dele, mas não dava bala aos tiros sucessivos e continuava a ser como era, sincera e transparente.
Recusava-se a lhe dar munição como que a lhe cair bem como chuva em roça de milho. 
Ela sabia que todos somos como somos e criticar só falava mais de quem criticava do que quem se está criticando.
Afinal, todos vemos defeitos alheios com a maior facilidade, já as virtudes, se dependesse de nós, o milho morreria seco, muitas das vezes, não haveria chuva favorável para a roça sobreviver bem viçosa.
Um dia, aprendeu a lião com um idoso, Doutor do consulado que o pôs em seu devido lugar. Cumpriu sua pena até o fim da sua vida. Caiu na própria trampa das depreciações que fazia de tudo e de todos. Apendeu a ser mais gentil, delicado no trato e cortês, juntos a outros detentos, pois nem sempre na vida encontramos pessoas que fazem de conta que não sentem... é mais difícil, mas os senhores assim, estão por perto, prestes à defesa dos injustiçados.

Perspicácia

  (foto pessoal Portugal) Pâmela vivia num cenário bélico, havia destruição por toda parte. Sentia uma decepção tão grande com o ser humano,...