quinta-feira, 16 de julho de 2026

Amizade Fortuita

 




Algumas amigas que não se conheciam há  muito tempo, um belo dia, se encontraram e não mais se largaram.
Estão juntas em todas as ocasiões, são passeios, reuniões do Clube da Leitura, cafezinhos nos bistrôs, em casa, descontraidamente.
Cada uma tem suas restrições.
que comer na melhor das idades?
Particularmente, tento incutir algo mais saudável nos pratos partilhados, não apreciados por algumas que pedem mais açúcar.
Evito comer doces, apesar de gostar muitíssimo. Sendo assim, posso abusar um  pouco nos lugares que vamos. 
Guloseimas são apetecidas em diversas ocasiões, mas se banalizarmos, não tem o mesmo gosto. Se todos os dias forem domingo, que graça encontraremos no belo pudim ou no bolo caseiro bem caprichado?
Comer, comer, comer e, depois, ter que restringir de tudo que gostamos deve ser horrível, pesaroso, custoso ao paladar já acostumado.
Petiscos são, normalmente, deliciosos. Os pitéus nos agradam e nos injetam serotonina. Gulodices não podem nos escravizar. Devemos, para nosso bem-estar, as gulodices maneirar.
Com açúcar e com afeto, os dias se tornam melhores.
E vocês, gostam de guloseimas?

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Amor ao Próximo

 



Ângela e Marília sabiam que as dezenas de anos estavam se acumulando, dia após  dia e não lhes causava estranhamento algum.
Não  fossem alguns contratempos tipicos da idade, nada as tirava do sério em alguns momentos. 
Ambas tinham filhos distantes, cada qual com suas famílias constituídas. 
Visitavam ou eram visitadas por eles e seus netos.
Tudo era normal como boas vizinhas do mesmo edifício.
Não  incomodavam uma à  outra, partilhavam quitutes, tomavam cafezinho juntas,  iam aos médicos juntas e ainda passeavam para espantar males próprios dos anos idos, após consultas e exames que se avumulavan. Uma dava força à  outra.
Estranhamento para elas era ver pessoas se digladiando por nada... gente sem noção reclamando de tudo (inclusive do calor  ou do frio) sem aproveitarem os últimos anos de vida.
Como estranhar a cordialidade, a amizade, a boa convivência da vizinhança? Jamais! Aliás,  eram ambas viúvas e os demais dois vizinhos do andar eram casal também de ídolos, mas eram pares.
Estranhamento sem noção é a falta de amor ao próximo..




segunda-feira, 13 de julho de 2026

Perspicácia

 

(foto pessoal Portugal)



Pâmela vivia num cenário bélico, havia destruição por toda parte. Sentia uma decepção tão grande com o ser humano, era um misto de sensação variada que tentava lhe abater.

Olhava ao seu entorno e via destroços na sociedade e  nas pessoas.
Foi até uma igreja para ter um momento a sós com seu Criador. Precisava de raciocínio sobre as coisas doravante. Era urgente separar, dividir, decidir o certo do errado. Discernir era importante pois suas escolhas fariam parte do seu futuro próximo. Necessitava fazer um Projeto de Vida.
Mesmo debaixo de escombros, colocou seu véu de renda de bilros. Não lhe protegeria de um provável ataque, mas se sentiu mais segura na sua intimidade com o Onipotente.
Com seus cabelos desgrenhados, olhos esbugalhados de tanto prantear, pôs-se firme a orar sob sua mantilha de renascença herdada de sua falecida avó no último ataque.
Passou um bom tempo como num deserto, foi suficiente para acalmar um pouco seu coração tão sofrido e enlutado. Estava tão exposta a uma infinidade de problemas da última guerra.
Saiu dali crendo que distinguira o certo do errado, fez o mais sensato que lhe pareceu  um sopro divinal e iria assumir as consequências da sua escolha.
Sabia que havia adquirido a sabedoria necessária, indo embora dali, desnudou-se da seu manto chantilly, dirigiu-se a um jardim florido, precisava sentir o odor das mimosas a inebriar seu olfato tão acostumado com cheiro de enxofre na atualidade.
Teve perspicácia suficiente para não se deixar impregnar pelos conselhos alheios, muitas vezes impetuosos como se fossem donos da razão.
Doravante iria navegar por jardins de outros países. Veria novas flores inusitadas e desconhecidas, num clima mais ameno onde a natureza era promissora e sem o barulho infernal estrondoso das bombas. 
Afinal, o desabrochar dos botões nos jardins era tão silencioso e os sensíveis podiam desfrutar de uma beleza espetacular e de odor agradabilíssimo.
Em cada flor que contemplasse, reconheceria a experiência de discernimento que havia feito naquele resquício de igreja, num país tão distante onde jaziam, sob catacumbas improvisadas, seus familiares amados daquela contenda descomunal.



domingo, 12 de julho de 2026

Olhar de Esperança




Naquela família onde foram criada, Mariana refletiu sobre o  envelhecer, não queria  estar na condição de refugiada do tempo. Muito menos ser membro de uma manada, isolada. 
O comodismo em achar que tem tudo é mediado pelo apreço  à  natureza que lhe acentuava a simplicidade. 
Tem um.corpo que necessita de outras fomes além da material. 
Não tem vergonha de cometer deslizes, Não sabe tudo e não tinha deixado de ser boba, chegava a ser tola, idiota, às  vezes.
Mesmo com o tempo passando, esquecendo de algumas coisas, percebia que envelhecer não era só  aumentar a idade. Tinha que ter cuidado para não  carregar fardos pesados além do que podia suportar. 






 

sábado, 11 de julho de 2026

Fuga Livre



Ela era uma cirança obediente, desenvolveu um medo crônico e, consequentemente, uma disidrose, causada por estresse.
Desde a adolescência, tinha o sábado para faxinar a casa como a Gata Borralheira. A exigência pior era na hora dos móveis rútricos, estilo Luís XV, cheios de voltas para passar óleo em todas as curvas. Agachava-se, cansava bem, suava, tinha que sair tudo perfeito.
Outra tarefa bem puxada era passar o escovão no chão de cera vermelha que ela encerava, mais tarde teve enceradeira, aí facilitou, gostava de lustrar o piso, já com o taco.
Saia, literalmente, do estado dos contos de fada de criança para outro estadoo de alma.
Com um modo de vida de muita pressão, por exigência de nota dez em todas as disciplinas na escola e outras mais, por ser a mais velha, esteve à beira de uma revolta na explosão da adolescência. Não havia espaço para tal. Tinha que esperar a maioridade para a sua liberdade, pois nada podia fazer.
Na fase adulta, precisa manter a bondade, em meio aos maus tratos, não deve transferir seus traumas aos semelhantes. A esparança precisa ser, periodicamente, revisada.
Afinal, não pode ser dependente de um príncipe que a viesse libertar e lhe dar as mordomias que nunca teve.
Na maioridade, os encnatados não existem por aí dando sopa, os últimos dos moicanos estão comprometidos.
Aprendeu que saber limpar uma casa é tão importante como limpar sua alma (seu espírito) de tudo que desagrega. Faz o seu serviço doméstico com satisfação e sem nehuma intimidação.
Como ela reage ao que viveu?
Lendo e escrevendo é a catarse mais livre que ela reconhece e vive.



Sonho de Amor






Mais um dia saudosamente vivido. A poesia mata um tico da minha sede de ser amada, de te Amar.

Meu sonho de Amor,venha para mim, carinhosamente!

Ama-me sutilmente.

Quem me dera que chegasses ao meu lado, candidamente, sem peso e rede, livre e,  levemente, com carinhos  concernentes.

Meu sonho de Amor, viaja para mim, eternamente!

Acarinha-me docemente.

Venha matar minha sede, oniricamente, marca-me, imprima teu Amor em mim, deixa-me saciada com brandura, me ama docemente.

Meu sonho de Amor,  voa para mim, efusivamente!

Queira-me ternamente.

Peço aos anjos que façam sinfonia, eu proponho, que entre águas do córrego, pedras e jasmins, se faça como cortejar amantes, acendam-nos com chamas, ardentemente.

Meu sonho de Amor,  corra para mim, efetivamente!

Gosta-me intensamente. Visto que te necessito perdidamente.



quinta-feira, 9 de julho de 2026

Amor no Coração




Eu tenho momentos felizes, quer de dia, quer de noite, apesar de tudo que já passei.
Só em estar viva, acordar todo dia com o sol ou a chuva a me sorrir, poder respirar sem aparelhos, comer de tudo que me apetece, seja saudável ou menos fitness, ainda algumas guloseimas, ter boa digestão, caminhar pela orla, tomar banho de sol na praia, sentada livre e solitariamente para contemplar pela orla, tomar banho de sol  na praia, sentada livre e solitariamente para contemplar meu sagrado mar. 
Fazer as refeições sem problemas, no silencio, ouvir músicas, os jornais que gosto de ver, escrever outro tanto no dia a dia.
Descansar, se preciso for, dormir bem as horas que necessito à base de um gostoso chá de melissa somente, não tomar remédios fortes para nada na atualidade.
Tornar a acordar e revier tudo de  bom, ter ainda muito ânimo e generosidade.
Ñão posso mesmo reclamar. Tenho amor em meu coração. Quer coisa mais feliz?
Não se pode ter tudo. Eita recessão benéfica! Aprendo a viver com simplicidade, ser muito mais feliz e leve.
Ninguém tem tudo nem de material nem de espiritual.
A cada dia basta o seu mal.
A Providência divina não falha. Deus é Fiel!
Obrigada, Senhor, por tudo.


Amizade Fortuita

  A lgumas amigas que não se conheciam há  muito tempo, um belo dia, se encontraram e não mais se largaram. E stão juntas em todas as ocasiõ...