(foto pessoal Shopping Guarapari ES)
Era chegado o tempo natalino amava ajeitar a árvore de presentes, de papéis coloridos, com laçarotes de fita, cordões dourados tudo preparado numa beleza sem par.
Ela tinha uma alma pura, lhe encantavam as lembranças do Natal da sua infância numa casa grande onde sua avó, ainda viva, era o alvo da visitação dos filhos, netos tios e primos. Saboreava tal festa com grande expectativa. Os presentinhos na árvore, antes no sapatinho na janela, o pratinho feito paro o bom velhinho que viria deixar o mimo. Não se esquecia do manjar com ameixa que o entregador de presentes gostava e se lambuzava, deixando o caroço no prato como vestígio da sua passagem naquela casa da região rural.
Não tinha ainda a devoção ao Menino Deus a não ser muito mais tarde quando foi estudar no colégio de freiras da região.
Dar ou receber presentes não era o objetivo para ela. Tencionava ser o próprio mimo aos seus amados familiares.
Perpetuava assim, as alegrias de Natais de outrora onde era tão feliz com a espera mágica do papai Noel em que acreditava piamente.
Na ocasião da grande festa cristã, o coração das pessoas se expandia, ficava cheio de amor para com os menos favorecidos.
Realmente o Menino Deus continuava a fazer milagres até os dias atuais. O mundo se tornava mágico. As pessoas se revestiam de magia. O coração se enchia de amor.
Deixava-se envolver pela temporada de paz e alegria da época tão rica, linda e abençoada. Alegrava-se com os momentos felizes que iria viver estando ao lado dos seus amados familiares.
As pessoas deixavam cair o invólucro em que se colocaram para sobrevivência num mundo duro, cheio de hipocrisia por todos os lados. o consumismo comum na modernidade seria colocado de lado por muitos para serem solidários aos semelhantes. Ao menos uma vez ao ano, o mundo se revestia de fraternidade bonita que lhe agradava tanto.
O mundo parecia esbanjar amor fraterno. O transbordamento da afetividade era notório na época.
É Natal sim, tinha que ser Natal. Só podia ser Natal. O mundo se confraternizando e se amando? Não tinha dúvidas. Percebia que o Natal se avizinhava surpreendentemente.
Quando ela olhava o calendário e entrava o mês de dezembro, tudo ia se transformado dentro dela aos pouquinhos. enchia-se de coragem de tentar chamar às pessoas à convivência mais íntima e solidária em todos os níveis.
Já foi vovó Noel em que curtia seus netinhos pequeninos que já eram rapazes na atualidade.
Hoje, seu Natal é bem diferente. Com Maria, a Mãe do Deus Menino, permanecia em silêncio se amofinada, perdoava os insensíveis.
Se fosse ofendido, evitava ofender. Aprendera tanto nas últimas décadas onde seus cabelos se tingiram, pouco a pouco, de prata fina numa mescla luminosa lhe dando maturidade, mas que não impedia das lágrimas rolarem em sua face. Elas eram teimosas e ninguém sucumbia de tal abuso em seu rosto.
O pensamento estava racional ainda e lhe trazia à memória tudo que havia feito em prol dos que tinha amado e ser foram sem piedade lhe deixado consumida nas lembranças e saudades pungentes e dilacerantes.
A Data Feliz, já aprendera há anos, só acontece quando concebido internamente.
Independentemente de indiferenças de quem já se doou por inteiro, da negra sensação de não ser mais vista, ouvida, de se isolar como uma ilha inabitável, o bom de tudo é que é Natal lá fora e precisa ser dentro dela.
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