(Foto pessoal Sintra Portugal)
Era uma mulher organizada e não tinha problema para se ajeitar sozinha.
Como tinha sensibilidade, sabendo que a outra pessoa necessitava descansar um pouco mais, amanhecia com discrição.
Ao tomar seu desjejum, responder suas mensagens, ia à luta, teria um dia cheio demais.
Era véspera de feriado prolongado e precisava dar conta do encerramento da contabilidade, o contador viria checar o livro de caixa da sua empresa.
Descia do seu apartamento com tudo planejado, sabendo que só voltaria ao meio dia para o almoço e o costumeiro cochilo ao encerrar seu expediente na parte matutina.
Trabalhava com afinco, arrumava tempo de ajudar a todos que vinham desabafar chorumelas em seu ouvido de escutador.
Era amante do voluntariado, ainda se debruçava sobre a administração do seu lugar.
Assim se dividia literalmente seus dias, cultivando o que tinha de valioso em seu ser doador, mesmo cansada e de idade já avançada, continuava sua sina voluntária.
À noite, podia finalmente se dedicar aos seus livros na esperança de não ser incomodada pelo frio, calor ou falta de diálogo com seu esposo com quem tinha um relacionamento antigo e não queria lhe ferir ou faltar com a atenção merecida.
Eram as palavras sua melhor companhia, mesmo tendo afeição a todos com quem convivia por amor e circunstancias.
Sua rotina era quase perfeita e doava quase tudo de si.
Era uma mulher que, enquanto viveu, merecia ser feliz com o pouco que lhe restava do seu quase tudo.
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