quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Delicadeza de Alma
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Veredas Poéticas
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
Natureza Espantosa
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025
Aquarela Meiga
Era uma vez uma aquarela apessoada e bem refugiada pelo seu Criador. Ele a instalara num transparente e dulcificado coração .
Seguia incansável em espargir no universo todo bafejo de cores bem aromáticas.
Numa certa conjuntura, tingia de afogueado sua radiante práxis, vistoso era o elã da tenra, juvenil maneira de pincelar seu sucinto mundo.
Chegou um ciclo maduro, cheio de supressão e, sem descortinar, coloria sua vida de negro, pardo, tons cinzas e enferrujados. Tal e qual sentia seu ser latejar branda e friamente.
Mais para frente, entretanto, muitas décadas ultrapassadas, um anjo guardião lhe obsequiara um balde da cor azul, com pincéis de várias dimensões onde não só se viu matizada dessa tonalidade como também pode tingir a vida de alheios ao seu arrebalde, espalhado pelo mundo afora.
Havia uma medusa inclemente que lhe arrancara de suas caritativas mãos afáveis e obreiras, as mais encantadoras nuances azuladas e, propositalmente, lhe restituíra aquele velho balde vermelho, porém, como era muito desalmada e cobiçosa, o rubro tinha coloração e gustação de sangue, extinguiu-se o brilho tonalizado do passado, tudo ao seu redor exalava pêsames e prostração mortal.
Cabia a ela, juntamente com seu edificador e mantenedor, despejar toda tinta fosca, raspar todas os tapumes internos do seu coração e, mesmo exaurida, pôr-se na melhor dos seus tingimentos de vida: cerúleo do tom do oceano.
domingo, 23 de fevereiro de 2025
Esfuziante Arroubo
Um dia o firmamento estava muito carregado, opressivo, repleto de turvações bem melânicas. Peregrina, risonha, a perscrutar uma brecha, uma nesga de céu azul, foi fantasiando.
Animada, nada reprimida, exulta, vê frestas azuladas, não se contém, deixa para a retaguarda todo cinza e exalta, imediatamente, o deleite toma conta do seu ser.
Um esfumaçado branco insistia em permanecer, mas a exuberância do celeste cenário acabou por predominar e lhe alucinar. Seu coração explodia e irradiava luz.
A natureza tem efeito nas diligências, embora deva-se lutar contra sensações, uma rixa de sol já afasta toda nostalgia, o rosto se torna radiante, o semblante irradia júbilo.
Com um desejo exitoso no peito, estando cerúleo o dia ou não, torna-se relevante, é esfuziante o ímpeto interno de felicidade, energia chega inocente, na mais rara sinergia.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
No Silêncio Noturno
O que esconde a noite? Camufla o silêncio da alma, do corpo, do coração. Ruídos espalhados pelo ar fazem ouvir a voz das vagas do mar.
Ouve-se pessoas gargalharem ao longe, frêmitos loucos, impiedoso espivitamento, ruídos vários pelo ar notívago.
Como se fosse um subterfúgio do espelhar humano, malogrado em alvoroços ao redor de si mesmo.
Sem profundidade, a profusão do fecundo se extingue, a malquerença envolve a humanidade em profundidade, descabidamente.
Parece ser proveniente do remanso dos sentimentos nobres, da incapacidade de se fazer silêncio interior.
No mutismo noturno, a ternura pode circundar e descontaminar das descabeladas urgências das sociedades efêmeras exigindo coisas passageiras.
Pode-se eximir do caduco se alastrar, pois a noite deve ser mágica.
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