segunda-feira, 3 de março de 2025

Conchas Afetuosas

 

(foto pessoal - Praia das Virtudes - Guarapari  ES)

Um dia, muito pequerrucha, indo à beira-mar com seus familiares na região da casa da sua tia, descobriu o quanto estimava o pélago e nem sabia ainda.

Ele se tornou âncora da sua solidão, seu ancoradouro seguro, ininterruptamente.

As marolas levavam suas mágoas da sua mocidade, juntava seu pranto e transportava numa embarcação todas suas demandas em pensamento.

Ela nem se preocupava em não saber nadar, navegava como se fosse um importante navio capaz de subjugar o oceano em seu azul tão convidativo e aconchegante.

A cada arabesco que as vagas faziam nas pedras, ela sentia como que quebrando todo pesar do seu íntimo.

Não eram pancadas somente, era um poderio superior gigante que lhe dava animosidade e generosidade em persistir suas caminhadas e sua descoberta de novas conchas de afeto.

Saía da sua ilha interior e alcançava novos paraísos secretos onde mergulhava fundo dentro de si.





sábado, 1 de março de 2025

Prosperar

(foto pessoal - Petrópolis - RJ)

Questiona-se como pode lavrar flores.
Como florescer e fazer florir o universo em que se domicilia.
Onde estancia o ato de primaverar todo lugar acampado?
Considera que seria muito mais do que plantar sementes. Irrigar solo abundoso.
Teria que percorrer o processo de profunda conciliação interior, apta a servir sem almejar recompensa alguma para, desconstruindo-se, refundir todo o Universo ao derredor.
Oxalá consiga, ainda em vida, o prosperar para, depois, vicejar onde estiver no mundo!





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Mar Sagrado


(foto do filho - Praia da Costa - Vila Velha - ES)


Olha os fluídos que a refrescam, eles lhe dão intuições, minoram desilusões. Sente seu  corpo mergulhar no hidro, debulhar em lágrimas. 

De botelha fosse o ser, água petrificada, tornar-se-ia, bem mais ornada.

Vê-se do jeito como se manifesta, onde se liquide, lagoa, mar, piscina, cachoeira a desaguar. Sua alma se inunda e se desinfesta, sai depurada no corpo e mente, é purificada e bem temente.

Visualiza um auspicioso mergulhar no azul, é como contemplar a Estrela do Sul. Aguar a impregna, encharca, inunda a todo ser existente, com conciliação oriunda.

Na pacificidade,  vai prosseguindo, de correntes aquáticas, ressurgindo.

Contempla, nadando, voejando, marear, pisando nas areias tenras, locomovendo-se e sondando.

Ama tanto o Mar Azul Sagrado. sem expressão exemplar ao agrado de louvar as Místicas Águas, mesmo em palavras mal escolhidas.


Viajante Itinerante

 

(foto pessoal - Praia das Virtudes - Guarapari - ES)



Não sabe o que ocorre ultimamente,  vive-se uma conjuntura sem tempo, mesmo tendo ensejo de aprazer-se, de albergar a autoridade, acatar,  estimar, influenciar e exonerar.

Cingir a mão e declarar: obrigada, bom dia, são modestos gestos de admiração e  bem haja  pela vida.

Quando ela perscruta o céu, entrevê em frente, a auxilia a omitir vitupérios, clamar, abalizar o amor, endossar, esperar reincidir a amar, renascer e regressar a se fortalecer.

O tempo de ser auspiciosa chegou, de esmerar-se ao outro, de não ser prisioneira do desdém. A escassez de fraternidade gera antagonismo, torna-se apenas uma viajante num mundo tão intrigante rumo aos luzeiros do infinito, com direito à estrela cadente, muito envolvente, iluminada, requerendo amor, ânimo e libertação da própria especificidade.

Será que a ocasião a arrefeceu ou ela é apenas uma transeunte itinerante instigando a maneira de ser, na galáxia do viver?




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Delicadeza de Alma


(foto pessoal -  Praia das Castanheiras - Guarapari - ES)

Pessoas passavam e descendiam numa maratona circunstancial.
Quase que a atropelavam pela senda com  muita celeridade, característica da concentração hodierna desenfreada no portarem-se de forma alucinante.
No eixo da multidão, estava uma cidadã que circulava absorta pelas gotas de chuva grossa que derrocavam na localidade tão ativa e se mesclavam às suas lágrimas num misto de contrição e melancolia.
Todos queriam resolver suas necessidades sem se darem conta de como, dentro de um povaréu, ela estava vagueando para despistar seu ânimo e buscando ganhar ascendência a fim de sobreviver ao pesar que a assolava há um ciclo que mais se assemelhava à sua origem.
Subitamente, uma umbrela esbarrou na sua e alguém percebeu em sua face úmida, debaixo do protetor plúmbeo.
Um homem cheio de intrepidez, tomado de um sentimento de solidariedade, ousou indagar se ela carecia de algo, se estava indisposta, com toda brandura e diligência que convinha num diálogo com uma pessoa com quem não se tem familiaridade.
A mulher não conseguia sequer balbuciar, seu pranto falava por si só, vinha do seu coração muito dilacerado, estraçalhado de tanta nostalgia e indiferença.
O homem caminhou lado a lado e permaneceu na discrição junto à sua companhia.
A mulher parou de andar em frente ao pélago e ambos se olharam terna e demoradamente.
De repente, a chuva caía mais mansa e só o mar tinha mais água do que as que rolavam na sua face embebida.
Ficaram a contemplar o oceano, agora eram dois corações a ouvirem o bramido das ondas a se quebrarem na areia sagrada como a dizerem que ambos estavam sendo purgados de corpo e alma.
Doravante, caminhariam sob a tutela do "Guarda-chuva-do-amor".
A suavidade une seres sensíveis numa afeição que ninguém consegue detonar, nem mesmo o sagrado mar tão majestoso.



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Veredas Poéticas


(foto pessoal - Praia das Castanheiras - Guarapari - ES)

Quando esquadrinha as veredas da vida, tudo se torna poesia. Um pormenor pode voltear uma inspiração.
Caminhar sem saborear o cenário é apenas exercitar o corpo. Faz até bem, entretanto não só convém.
Um suporte florido incita o exercício da sua mente, a ginástica da essência no cotidiano bulício.
No frio, a aquece; na ardência, a refrigera e a comove.
É musa floral tudo que não seja banal.
Boqueja, quando ela regressa da perambulação, que só carece de um café, pois um chá de primavera já edifica seu ser com galanteio e crédito.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Natureza Espantosa

 

(foto pessoal - Dois Irmãos - Anchieta - ES)

Não tem elemento que a deixa mais estupefata do que a natureza com suas inusitadas dádivas em átimos sortidos.
Ia para uma paragem a oura indistintamente e zás!
Quando menos pensava se surpreendia com uma graciosidade pêndula ou configurada no panorama onde residia.
Por mais que soubesse que o Criador fosse um artesão exímio ímpar, sempre se deslumbrava ante a exibição da sua clarividência.
A emoção era tanta que, como diria algum gaúcho perdido pelos arredores, caíram os butiás da algibeira.
Hipérbole? Claro que não!
Toda transcendência da Criação era mesmo de fascinar.
Quem  faria tal façanha? Certamente que ninguém, dizia em seu coração cheio de pasmo e ao mesmo tempo, regozijo.
Em seus lazeres, brindava com seu Deus por ter feito tudo tão satisfatório.
Afinal, o que mais a intimidava era saber que o ser humano não valorizava tanta graciosidade natural e destruía tudo sem comiseração nem complacência.
Era assim a maior procedência de lhe cair os tais frutos do alforje.



Coração Rosado

Sai a caminhar, sabia de antemão, o encontro tão esperado, aconteceria naquele dia, seria um momento de muita emoção, iria espreitar  à dire...