quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Amor Gratuito

(foto pessoal)


Viveu dentro de um contexto de exigências múltiplas.  Cobranças eram  cotidianas.  

Hoje em dia, fazendo uma leitura apropriada, ela se sente nitidamente a Borralheira na tal família  onde viveu, ou seja, não era a preferida.
O que ela sentia não importava e sim o abandono, o deixar de lado sua Pessoa. 
Deu tudo de si, mas não atraía o Amor de quem cria ser eterno, só desprezo.
Não foi diferente no casamento, nasceu para o descaso e acabou por se conformar depois de muito lutar para ser amada.
A força da desatenção é  mortal. Consegue estrangular os sonhos mais puros.
Hoje em dia, ela se questiona:
-Espelho,  espelho meu, haverá alguém capaz de me amar sem me descartar levianamente?
Trocou o mote do abandono por amar a todos que estiver a seu alcance, sem esperar retribuição. 


quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Aprendizado de Vida

(foto pessoal)


Desde pequenina  achava interessante quando lhe diziam que, do lado de cá, o mundo era dia e, do lado de lá, o mundo era noite.

Quando foi crescendo, entendeu que o universo tem duas faces, nós, as pessoas também, quase sempre. De um lado é tudo claro, do outro, muito escuro.

Encontrou beleza nas flores. Também viu muita maravilha nos mares e céus.

Via o mundo com mais atenção. Antes ela cria no ser humano, piamente, agora, via que também nós temos um lado obscuro, poucos são transparentes, muito poucos se deixam realmente  olhar, ver, enxergar. 
Queria apresentar um mundo maravilhoso, cheio de claridade, de cores estonteantes como pensava ser, mas não podia lhes enganar, não era exatamente assim.
Queria deixar um legado, Deus existe e devia ver a vida com os olhos amorosos divinos, mesmo que as coisas não sejam assim tão alvas como desejaria que fosse. Fazia um esforço para ver beleza mesmo onde não tinha.
Fazia do mundo uma esfera colorida, sonhava muito e alto para poder achar alguma cor bonita, de pureza nos olhares e nas suas intenções. Não tomava as pessoas como espelhos.  Os mais autênticos que podiam, não iam na onda das pessoas, davam o melhor de si, mostravam suas cores próprias. 
O mundo tem um quê de massificação onde pessoas do bem são rechaçadas depois de usadas, o que adoece, faz mal à nossa essência humana. O Criador nos criou em primazia no mundo para sermos destaques. 
Assim seria o mundo bonito e bom. Não mentia, não é exatamente assim o mundo. 
Vovó também acreditou no mundo e terminou seus dias como sabia bem.
Tinha respeito pelo mundo e por tudo que nele continha, respeito e justiça estão desacreditados, mas não os perdia de vista.
Sabia cultivar seu olhar diferenciado sobre o mundo inteiro, não era maria vai com as outras, era ela mesma. Ah! Se sofria?  Deus a acolherá. Ele fica do lado dos sensíveis, dos não manipuladores, dos que se relacionam com veracidade no coração, não deixando os verdadeiros valores de lado. Não abusava de ninguém. No final da passagem de todos pelo mundo, terão que prestar contas a Deus pelo que fazem. Aceitava um convite de não usar e abusar das pessoas.
O mundo não é lá tudo que pensava ser, mas a vida era bela e valia a pena viver enquanto tinha vida pulsando em seu peito. Seus filhos e netos eram seu mundo bom, a parte colorida da sua vida.
Tirava proveito das lições que o mundo apresentava a ela, não via o mundo como ela se enganou tanto. 
Não queria que os seus sofressem.
Lembrava-se bem, o mundo em si é bom, nós é que o fazemos mau.



terça-feira, 28 de outubro de 2025

Viagem ao Interior








Em datas mais longas comemorativas para saírem de

viagem ao interior do ES com seu pai amado.

Gostava de atravessar, a pé, porteiras de madeira que eram

postas também para animais como bois, vacas

ou bezerros não passarem.

Na entrada do sítio, um córrego limpinho ia com ela em

paralelo, atiçando o gosto que já tinha pela água

de um modo em geral, sendo ainda pequenina.

Ao adentrar na varanda, seus sonhos iam sendo aguçados

cada vez mais.

O que se sucederia desta vez? Teria o doce de tomate que

ela e outros meninos da fazenda iriam colher

nos pés em tom de brincadeira? D. Magnólia faria os

biscoitos no fogão à lenha? E a manteiga batida na

garrafa até se condensar o leite será que teria?

Brincariam os infantes na varanda grande de pega varetas

e outras diversões não informatizadas?

Ficaria contemplando, curiosa e caladinha, as moças

ralando coco e abóbora no riacho para fazerem doces

saborosos caseiros.

E a missa dominical? Que lindo era pôr seus vestidinhos

da cidade de tecido brocado para, com toda

devoção e de véu branco na linda cabeleira.




segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Infante Fortaleza

 

(foto pessoal)

Foi uma criança que nunca teve moleza, adolescente e jovem precoce, amadureceu na marra.
Seria natural que se tornasse uma mulher amarga.
Queimaram etapas naturais do seu desenvolvimento infanto-juvenil.
Ela confiava em Deus, sendo assim, quando parava para pensar, degustar o que foi a própria vida, ficava pasma consigo, via a mão do Senhor sobre si. Ai dela se não fosse a amorosidade divina.
O normal seria que doasse o que recebeu ou o que tinha no coração contabilizado. O produto seria um resultado provável, mas, com ela, foi bem diferente, tinha momentos de inconstância, de amargura, de tristeza, de solidão como todo ser humano normal.
Era difícil estar num local onde a viam assim. Aprendeu que o rosto dela não era para ela.
Assim pela Graça divina, que não lhe faltava, agia, na maioria das vezes, ternamente, com bondade, mesmo com o coração sangrando dentro do seu peito, reconhecia, entretanto, que não era única nesse aspecto, lógico.
Tinha que ser terna, dar carinho, amizade, ser gentil diariamente. O mundo não tem culpa se a vida não foi generosa com ela como desejaria.
Assimilou também, na convivência, que alguns mais próximos lhe condenavam, não tinham nenhuma piedade, não esperava nada de ninguém, como praticava ao longo da sua vida, com alguns familiares, por exemplo.
Respirava fundo, acalmava-se, integrava-se de novo e ia à luta, rumo ao novo a jorrar toda energia boa para que ela não ficasse reprimida em seu coração, circulasse em si mesma, ajudasse aos corações feridos, despedaçados como o dela.
A mensagem que almejava deixar era de otimismo e fé para os que não tinham carinho e compreensão como almejavam.
É possível sim era para os outros o que queria para si. Era trabalho intenso e ascese pura, crescimento interior, autoconhecimento, espiritualidade, A vida lhe ensinou a ser forte sem perder a ternura.



domingo, 26 de outubro de 2025

Entre Livros e Palavras

 

(foto pessoal)

É uma menina sonhadora e animada.
O tempo seu é gasto com leituras e escritos que lhe saem da alma.
Seu coração transborda palavras, emoções e sentimentos mistos.
Como escreve muito e há um bom tempo, resolveu catalogar suas melhores poesias e editar seu primeiro livro.
Está tão imbuída na questão que passa horas a meditar sobre as mesmas e a pensar que seus futuros leitores merecem a partilha dos seus melhores momentos.
Suas poesias revelam o que lhe passa no coração. São ela ao avesso.
Acabara de chegar de uma longa viagem e mal retira suas roupas das malas e envolve-se com sua tarefa tão querida.
Entre lindos vestidos, roupa  do lar e flores que recebera dos filhos pela chegada à sua residência, concentra-se, profundamente e extrai a síntese de todo o seu ser.
É feliz assim entre livros e palavras.
Como a menina divaga e se deixa encantar pelo que, em breve, revelará.
Entre suspiros, cafés ou chás, lá vai ela, explicando o seu odor mesclado com o aroma das rosas.
Tudo é relevante ao seu redor e ela convive com certa bagunça em prol de algo maior.





sábado, 25 de outubro de 2025

Brecar a Pressa

 


(foto pessoal Santa Teresa ES)

Eu com ele, numa reviravolta infindável, vida parece um redemoinho sem volta, é luta renhida, rodopio como numa máquina posta e exposta.
Numa volta de ângulo total, sonhos vão sendo triturados, desejos do bem massacrados, anseios de amor, pisoteados, esquecidos, abandonados, deixados numa onda gigantesca e malévola.
Quisera existir uma máquina de frear a maldade humana que aliena pessoas, que breque a pressa que engole sentimentos.
Oxalá fosse bem apessoado!





quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Surpresa no Jardim

(foto pessoal)


O genro foi aparar grama do jardim.
Uma vez serviço terminado, foi buscar os meninos na escola.
Até aí, tudo normal.
Entretanto, aconteceu algo inusitado, meninos, após tomarem banho, merenda da tarde, foram direto ao videogame no sofá da sala. Para espanto deles, dos pais, lá estavam bem acomodados, quando uma rã que escapuliu da hera.
Que baita susto tomou a mãe medrosa pelo tal bichano!
Uma vez expulsa do cômodo, todos retomaram a paz no fim de noite feliz.






Um Livro

  INSPIRAÇÕES FURTIVAS O blog foi transformado em livro...