sábado, 12 de abril de 2025

Pitico

 


(foto pessoal)

Miava feliz ao perceber o desabrochar das mimosas. 

Vez por outra, empacava e esticava seu corpinho esbelto.

Caminhava numa elegância descomunal.

Quem disse que animais não têm sensibilidade?

Ledo engano!

Sua dona, uma senhora já bem idosa, não podia sair com ele para dar uma voltinha. Sendo assim, permitia que ele saísse porque tinha certeza de que ele retornaria.

O carinho que ela lhe doava era surpreendente, não seria tratado tão bem por mais ninguém.

Ambos tinham convicção do amor recíproco.

Ela nunca o abandonou, ele jamais o faria.

Amor com amor se paga.




quinta-feira, 10 de abril de 2025

Exibição da Natureza

 


(foto pessoal Emboacica Anchieta ES)

Coqueiros e bambus gostam de se exibir, eles são altivos no campo e na orla marítima. Impressionante como se destacam dos demais arvoredos. São mesmo intrometidos como pessoas sem discernimento.

Embelezam o ambiente ao redor, evidenciam para ele e a beleza da natureza tão exuberante que os não apreciadores da natureza, os não ambientalistas podem achar que são metidos como muquirana.

Eles não têm culpa da semente radiosa, da muda, majestosa cuja essência foi cumulada e plantada, mas que se encarregam chamando a atenção para si, não se pode contradizer.

Para falar a verdade, tal tipo extravagante se aprecia, dos que possuem cabeça, tronco e membros, são insuportáveis.

-Valei-me, dizia ela!





Empatia Filantrópica

 

(foto pessoal Convento da Penha Vila Velha ES)


Temos estado numa calamidade climática espargida pelo mundo sorrateiramente e nem descortinamos, muitas vezes, sabe bem.

Está  a olhos nus para quem aspira ver. Tsunamis, furacões,  tornados, vêm nos dizer alguma coisa a todos.

Fatalidade? Não.

Castigo de Deus? Não.

Fim do mundo? Não.

Simplesmente descaso com o que Deus nos obsequiou e não cuidamos, reflete ela. 

Como assim?

É fato!

Quase matemática.

Se amamos e não cuidamos, o sentimento se deteriora, se escapa, se esvai, medita em silêncio.

É tão  prosaico como uma sentença  numérica. 

A vegetação não resiste ao aquecimento sem água. 

Não persistirá às tragédias sem solidariedade.

Agarrada ao lado espiritual, ao divino como unificada,  poderá ela ser mais humana e solidária, certamente. 

Não doando o inaproveitável,  ninguém é bolsa de resíduos. 

Não se exibindo,  doar por amor,  agarrada nos sagrados mandamentos,  no amor ao próximo.

Tem visto barbaridades na contemporaneidade.

Se unida ao sobrenatural,   porque Ele está  no que sofre algum tipo de dor,  ainda corre riscos de toda índole,  imagina como não agir e se sentir se não  auxiliar o próximo na solidariedade, empatia?

Sempre todos temos uma desculpa emocional: é longe daqui a tragédia tal.

Está cada vez mais próxima de todos os horrores que estão acontecendo em cercanias mais apartadas de onde reside.




quarta-feira, 9 de abril de 2025

Essência Felídia


(foto pessoal Praia do Meio Guarapari ES)




Era determinada como leoa, inquieta, não se submetia a enquadramentos de acomodação. Forçosamente foi assim desde sua tenra idade.

Abominou os padrões familiares leoninos ou de tigres, rechaçada, pisoteada por alguns, provedora dos seus rebentos, trabalhou como uma verdadeira fera para proteger e manter financeiramente seus filhotes

Por êxito, sua conexão com a Mãe Gaia, por ser uma indígena de alma, formou uma tessitura em sua aura de valentia que ignorava dentro de si, mas muitos e a vida lhe exigiam.

Não se fixando em seu potencial gigante, sua capacidade de superação, sofreu relacionamento abusivo de um feroz perverso e psicopata que lhe causou um grande transtorno psíquico e físico, um estrago emocional quase incurável. Não mais lembrava de suas garras afiadas em sua melhor idade, mas era vulnerável à injustiça de toda sorte. Acabava por se sentir inferiorizada em certas ocasiões.

Deixada de lado por ser dissemelhante a algumas mulheres da família, ferozes e dominadoras, sofreu julgamentos, lhe causavam uma enorme ferida em sua alma sensível. Como chagas vivas, lesões sangrando em seu coração, terminantemente pranteava sem motivo aparente em seu lar e sozinha.

Talvez não fosse empoderada o suficiente ainda, pois é trabalho intermitente ao longo da vida, a cada tempo que passava, sua juba ia se definhando, contrariando a herança genética que recebera. 

O Espírito controlava suas ações, queria não reagir mais a quem lhe machucava como os antepassados, preferia reagir como gatinha, leoa não chora. 

Teve que fugir literalmente do garanhão perverso, de carrascos espalhado no mundo e vivia só para seus filhos que eram o motivo dela ter vindo ao mundo. Não queria mais sofrer arranhões e golpes ferinos pois já tinham decepado sua alegria.

Quando se viu livre da jaula que lhe amputaram, criou sua própria proteção, afinal, tigres espertos reinam na selva de pedra.

Apesar de ter uma índole tribal, preferia, por necessidade de cura e proteção, viver mais isolada.

Perambulava de selva e floresta, procurava outras tribos mais pacificadas, tentava viver integrada. Trilhas mais sensatas foram lhe ajudando ao longo da jornada. Fugia de não ser subjugada até pela sua própria condição genesíaca. Era delicada, ainda que muito intensa. Superava opressões do reino animal familiar, embora se sentisse vulnerável, não se conscientizava do seu latente potencial, o que, não obstante, lhe causava algum sofrimento pessoal.

Um dia, encontrou um ser sensível e foram muito felizes até uma Pandemia.

Felinos perversos andam soltos na natureza, predadores da felicidade atuam liberalmente na sociedade. Todo cuidado era pouco.

Não tinha experimentado viver numa família de cordeiros, cujo temperamento não fosse um obstáculo para a harmonia geral.

Pensava: - Até quando?

Nem ela sabia o tempo que poderia levar para se recuperar de tanta tristeza e poder andar mais serena depois de se superar totalmente de todos os golpes sofridos no passado. Permanecer tranquila em seu novo habitat levaria tempo, precisava ser uma Simba domada e fiel à sua condição.

Tigres são animais enganosos, não perdoam, até chegam ao patamar da crueldade.

Atualmente, só almejava ser uma domesticada leonina que lambe suas crias e é feliz.




terça-feira, 8 de abril de 2025

Brechas Harmônicas

 




(foto pessoal São Mateus ES)

Era amante da natureza, diariamente gostava de caminhar ao redor do verde e receber energia pura, bom oxigênio e cheiro de maresia.

Em seu quintal, tinha um enorme guarda-sol, passava suas horas livres à sua sombra, apreciando o pélago que tinha avante.

Entre o verde do seu belo jardim, o azul do céu e mar, compunha sentidos poemas.

Num momento vespertino, o imprevisível aconteceu. Divisou o alto e a infusão de cores tomou conta do seu coração.

Ei-lo majestoso no poente, no descanso do sol que antecedia às chuvas de verão que se anunciava! Per manecia fascinada e, após um tempo até ele dormir de vez, despedindo-se dela, recomeçava a escrever assim pensando:

- O papel tem mais paciência do que as pessoas.

Enfim, mitigava ao ritmo do temporal após fazer suas preces costumeiras e precisas, com cores furtivas nos olhos e no coração impregnadas do lindo crepúsculo recentemente saboreado.







segunda-feira, 7 de abril de 2025

Saudade Nostálgica

 

(foto pessoal Praia da Areia Preta Guarapari ES)

Era uma apreciadora do mar, ele também. Tinham, por combinação, residirem nas imediações da imensidão das águas azuis que, por vezes, se tingiam de verde claro.

Eles, em dias frescos de verão, sentavam-se na areia para contemplarem o poente deslumbrante.

Nas auroras, gostavam de caminhar de mãos entrelaçadas pela areia de copiosos quilômetros na orla onde residiam.

Ocorria, por vezes, por residirem num lugarejo pitoresco, entre o desembocar da ribeira e mar, cerca do porto dos barcos nas proximidades, se depararem com o retorno dos pescadores com suas redes repletas de pescados vários, fruto do trabalho árduo de uma noite escura que era iluminada por um belo farol da Barra.

Inúmeras vezes, compravam peixe fresquinho para o almoço. Era o prato predileto dela que o fazia de duas modalidades, frito para ele e moqueca para ela.

Um belo dia, se transladaram para o campo, por comum acordo. Queriam viver próximo às montanhas a plantar e saborear a vida de longevos o mais natural possível.

Vez por outra, confabulavam sobre a nostalgia que ambos sentiam do pélago sagrado para ambos.

Como era desmedida a recordação da vida de outrora. Minimizavam tal sentimento indo visitar, de tempos em tempos, os amigos que por lá abnegaram.





domingo, 6 de abril de 2025

Delegar Deus

 

(foto pessoal)

No auge do seu medo, ele foi covarde, matou seu mais lindo sonhos de amor.

Não delegou ao Divino, foi cruel consigo mesmo, matou o outro com sua covardia.

O medo só lhe serviu para destruir, como um rebocador desgovernado a vida do seu semelhante.

Não confiou no seu Criador, infiel, descrente, não praticou sua fé, se perdeu da esperança.

No discorrer do seu destino, o receio tolheu sua espontaneidade, passou a viver amedrontado.

Não acreditou no poder do alto, só teve decepção, desde então.

Doravante, ela vai confiar mais em si no seu Deus e em quem a amar.




Coração Rosado

Sai a caminhar, sabia de antemão, o encontro tão esperado, aconteceria naquele dia, seria um momento de muita emoção, iria espreitar  à dire...