terça-feira, 1 de abril de 2025

O Acaso Fomenta o Amor

 

(foto pessoal Praia das Virtudes Guarapari ES)

Vivia numa aldeia italiana bem bucólica, sem recursos, com parcos sinais de desenvolvimento.

Seu pai lhe havia deixado um comércio modesto donde tirava seu ganha-pão diário.

Sua família produzia embutidos muito saborosos, embora sem grande patrimônio a investir. Além do mais, o lucro não era favorável ao progresso do estabelecimento que era bem simples, com quitutes pendurados em varais por uma corda resistente que exalavam um odor típico do defumado bem curtido. Ficavam assim o dia até o poente cobrir o horizonte, quando descansavam até o seguinte alvorecer.

Tinha os fregueses contumazes, os clientes compravam para o consumo próprio, sem grandes vendas na tenda.

Pedia ao Pai do céu que a utilização e retorno aumentasse, fosse favorável ao sustento familiar, sobretudo pelos seu irmão ainda menor, sua mãe idosa que a deixavam preocupada.

Numa certa ocasião de céu contornado de poucas nuvens, apareceu um forasteiro. Num segundo pensou que fosse um estrangeiro ou alguém da capital.

Ele lhe pediu uma degustação dos produtos,

prontamente ela lhe ofertou, cortou um bocado de cada um, dando prioridade ao chouriço que era a especialidade da casa. De naco em naco, ele foi saboreando todos eles, percebeu o bom paladar de cada lasca.

Imaginava o culatello, guanciale linguiça húngara, mortadela bolonga, copa, cotechino, lombo maturado, de tão “gustoso” que tudo estava.

O freguês ficou admirado com a delícia ali produzida, sentindo, na mastigação, um excelente sabor e qualidade, como bom conhecedor dos frios italianos.

Ao fim de uma hora aproximadamente, ele se apresentou, fitando-a bem nos olhos e lhe dizendo para se apressar e embalar toda sua mercadoria do balcão.

Prontamente ela solicitou a ajuda do irmão para empacotar tudo no rolo de papel grosso apropriado para os alimentos. Lá se foi todo o material que daria para um mês aproximadamente.

Ficou ainda mais surpresa quando ele a remunerou em espécie. Era alegria demasiada num só dia, a Providência Divina sabia de todas as urgências da família.

Ele, na despedida, segurou a sua mão de um jeito que lhe deixou ruborizada, ardendo seu coração, sentindo, na pele delicada e macia de uma moça aldeã, algo inusitado.

Decorrido um mês, ele retornou à bodega, acompanhado de uma moça. Veio lhe fazer uma proposta com sua irmã. Feitas as apresentações de praxe, falou do seu desejo de fazer uma parceria com a família, uma espécie de sociedade com tudo legalizado bem correto nos negócios.

A moça não sabia como conter sua felicidade pelo retorno do moço que não cria mais rever, entretanto deveria consultar seu irmão e mãe. O que ele, prontamente, quis conversar também. Explicou que traria um advogado da cidade para validar o negócio.

Tudo correto, dois corações que só almejavam o bem um do outro.

Já percebiam, na ocasião, que estavam enamorados, não tardaria muito para levá-la ao altar numa belíssima cerimônia e se mudariam para Roma. Aconteceu tudo conforme idealizado pelo moço, deixando eles o comércio aos cuidados do irmão e cunhado, que ficara maior de idade, e outro empregado.

Vez por outra, vinham de viagem de férias por lá e seus olhos brilhavam tanto que encantavam o lugarejo. Eram felizes e seriam para sempre. O amor não morre num coração que ama verdadeiramente e quando nada desabona a parceria. Ele inventa motivos para um empurrão em qualquer tempo e circunstância.




segunda-feira, 31 de março de 2025

Éden Encantado

(foto pessoal Praia das Virtudes Guarapari ES)

Era uma vez um jardim, com cores tênues e suaves. Esquilos, pássaros, borboletas, joaninhas, muitas flores delicadas, folhinhas verdes, galhos, cogumelos, pedrinhas, arbustos, tucano fazendo ninho aos filhotinhos.

Gaiolas de portas abertas, casinha de tucano, abrigo suave na noite, aconchego de pássaro no ninho.

No tal parque, ela era fada ativa, vivia num éden encantado inspirada pela natureza. 

Nele havia muito charme, beleza, graciosidade e leveza, tons claros, doçura, formosas rosas, ternura.

Seu bosque aficionado era pura formosura, junto aos seus lindos bichinhos.


domingo, 30 de março de 2025

Camponesa Balsâmica

 

(foto pessoal)

Nos tufos pelos prados, a campesina vivia seus momentos exalando amor pelo verde, num êxtase de deslumbramento do seu ser reverente, pleno de doçuras e cânticos de louvor.

Havia tido uma ruína há uns anos e resolveu cultivar a terra, coabitar no interior, numa roça agradável, de povoado mínimo.

Em certa ocasião, sentira a experiência de que todo jardim nascia de um sonho de amor não concretizado.

Elegeu as rústicas às vestes urbanas, a juta era seu linho de suprema estirpe.

Dialogava com as mimosas, vibrava com o nascimento de cada botão inaugural, na meticulosa plantação.

Havia um canteiro formoso de amor-perfeito, tratava tudo com desvelo, era de encantar a quem passeava pelo cativante e calmo recanto florido.

Sabia que o amor imenso que tinha em seu coração se comparava à flor. Se não cultivasse, regasse e tratasse com carinho, certamente pereceria.

Comparava as flores à presença da esperança vivaz, conforme o nobre sentimento, ambos incendiavam seu espírito.

Um vergel bem tratado exala pacificação e harmonia, é afetividade disposta.

Esforçava-se, ao máximo, na plantação, tinha a ciência de que necessitava de ânimo e generosidade, estava alinhada a dar certo, assim como se comportou na brandura que vivera anteriormente a se tornar uma jardineira.

Considerava as flores como supremacia a ela, como se recebesse delas uma força gravitacional bem como ocorre na afetividade entre os seres humanos, gerando uma relação recíproca afetuosa e intensa.

Tinha consciência da estreita relação da flor e o maior afeto.

Quando os turistas da região conhecessem sua floricultura, vivenciariam, ao doarem um mimo perfumado à afetividade do seu coração, seria um sol no dia nebuloso de alguém.

Seu canteiro seria a prolongação do seu afeto sincero dispensado agora a outros seres de odor agradável e não a uma pessoa em particular. 

Viveu eternamente cheirosa até seus últimos dias cá 

na Terra.

Aprendeu os dois envolvimentos de leniência que exalaria doravante o antes e a atualidade.




sábado, 29 de março de 2025

Entre o Cosmos e o Mar

 

(foto pessoal - Anchieta ES)

Estimava contemplar o pélago, permanecia uma eternidade meditando, refletindo sobre a mobilidade ferrenha das vagas gigantes na Praia da Arrebentação ou das marolas suaves na Praia dos Namorados.

A gurizada prezava pelo verão, férias ou recessos prolongados a se divertirem com pandorga colorida solta no ar aformoseando todo firmamento.

Responsáveis atentos supriam a carência infantil talvez não vivida ou retornavam aos sabores de criança, soltando taipas de todo tipo nas praças, descampados ou campinhos de futebol.

As piazadas eram um modo de ser verdadeiramente crianças felizes.

A agrura estava no cerol, altamente condenado pelo dano que causa aos transeuntes, mesmo dando aos meninos a alegria de amputar as pipas dos outros pipeiros e vibrar com o maravilhamento do êxito na hilaridade.


sexta-feira, 28 de março de 2025

Ciclo de Urgências

 

(foto pessoal)

Era uma criatura agradecida por todos os livramentos em etapas pungentes. Dialogava, periodicamente com o Mestre.

Tinha dia em que a hora não passava, se arrastavam as claridades, mas o mundo corrompia sob sua proteção divinal.

Ficava absorta em seu refúgio, houvesse chuva ou sol, tinha a convicção de que seus braços sagrados estavam abertos para todos. De ninguém, se desaprendia.

Nonagenária Cidade Maravilhosa, abraçando os que estavam sofrendo ou desfavorecidos de alguma maneira.

Turistas encantados ficavam, com tanta perfeição.

Recordava-se de quando subiu para visitá-lo, fazia alguns anos. Tudo lá em cima estava dissimulado pelo ruço que lhe cobria o postal.

Repentinamente, a luminosidade se rompeu e ouviu-se um unânime oh!

Tinha urgência de avença a humanidade.

Pedia socorro ao Alto, libertos sejam os humanos de toda malignidade aos corações.

Confiava de que algo bom viesse, cria.

Seus braços estendidos abertos acolhiam a cada dum dos filhos residentes naquele abençoado lugar tão sofrido.

Ela tecla, enquanto isso,  aguardando resposta que só a fidelidade do Senhor lhe daria.

Pedia licença ao mundo, pela caridade, a não levar mais do que um flagrante e já estar com o olhar bondoso dilatado para todos na sua grandiosa empatia.

Clamava pelo discernimento, tinha a convicção de que seria atendida pela sua contrição. Persistia na constância de subsistir pela crença devota.



quinta-feira, 27 de março de 2025

Bordejos Refrigeradores

 


(foto pessoal Vila Velha ES)

Apreciava contemplar a natureza, independentemente das circunstâncias e dos seus vastos encargos filantropos.
Após um período de enclausuramento, por desgosto, perdeu um pouco da alegria de viver, não teve mais vontade de ir a lugar algum.
Já consegue sair do casulo, no tempo atual, desfrutando o que lhe remanesce viver que não deverá ser superabundante tempo pela idade que já tem.
Costuma sair no autodenominado passeio de um dia, vai cedo e volta à noite.
Os entretenimentos pela região serrana do seu Estado são deveras restauradores. Até numa plaga mais longínqua se aventurou a pernoitar com o círculo de amizade, numa pousada. 
A praia onde reside é seu refúgio seguro, um refresco na ardência e onde fica sem celular, sistematicamente, saboreando o momento de apreciar o vaivém das vagas, sem que nenhuma pessoa a perturbe. Vai solitária e permanece consigo.
Tem visto o efeito do ficar às ordens do lazer por uns ápices a cada dia, num ócio engenhoso necessário.
Demarca gradativamente, o valor que tem o entretenimento e, atualmente, está num surto criativo que a realiza bastante onde idealiza uma Feira Literária que participará, sem nenhuma celeridade. 
Opta por ser assim, intercalar trabalho com lazer é indeclinável.



quarta-feira, 26 de março de 2025

Amor em Lascas

 

(foto pessoal)

Viviam um venerável e derradeiro amor.

Almejavam unir seus parcos pertences como num entrelaço de aspirações, buscaram algo modesto onde pedaços de seus sonhos pudessem, prontamente, tomar alguma feição precisa.

Encontraram uma vivenda muito desajeitada em princípio. Tanto a fazer teriam, passariam um tempo considerável como a sobrepor uma incógnita a fim do casebre obter um ar mais categórico.

Vinham de lares desfeitos, já estavam acostumados a acatar corações despedaçados.

Enfim, teriam um domicílio bem colorido de afeto e paz.


Um Livro

  INSPIRAÇÕES FURTIVAS O blog foi transformado em livro...