terça-feira, 25 de março de 2025

Pesca Malograda

 

(foto pessoal)

Um velho pescador divisava o mar. Adorava ficar contemplando a maré que nem sempre estava para peixe.

Ela sentia o marisqueiro como tombado ao chão, quando exercitava praticar a  pesca, quase por vício tóxico.Seu molinete, como fagote, tinha mofo, só dava mosca na tripa que colocava como  isca e nada mais.

Desferia o chapéu da cabeça rumo à casa, nenhum pescado fisgara e passava no mercadinho a providenciar azeite e cereal a fim de incrementar seu farnel sem a cavala sonhada.





segunda-feira, 24 de março de 2025

Caixa Surpresa

 


(imagem da IA)

Convidou-a a bailar, ela se fez requintada, toda formosa.

Uma instância assim foi um bálsamo a amainar seu infundado medo de amar.

Não rechaçou sua linda invitação, airosa, perfumada, charmosa, foi ao baile, já enamorada.

Trouxe-lhe de presente um precioso estojo muito bem ornado.

Nunca mais se sentiu rebaixada, recebeu amor, junto à joia delicada.

O presente mais chique não deixaria de ser seu nobre coração palpitando no peito do lado esquerdo.

Vivem o afeto sempre pulsando, vencendo todos os desafios.





domingo, 23 de março de 2025

Ajardinar

 

(foto pessoal)

Contempla flores nos jardins no seu pequeno alpendre.

Têm algumas que persistiram na última mudança de residência.

Está organizando seus jarros, frascos de plantas. Confessa que elas a enfeitiçam demasiadamente. Ainda fica estupefata como que nem asno que comeu urtiga, embasbacada mesmo.

Já teve vivenda grande com vergel, dá azáfama para cuidar, crê que valha a pena as mimosas distinguir.

Hoje em dia, para, contempla, fotografa, guarda todas no jardim do seu coração perfumado. Ele é grande como seu sorriso como a expressão da vez.


sábado, 22 de março de 2025

Cenário Amoroso

(foto pessoal Araruama RJ)

Seu dia inaugurou feliz desde o amanhecer.

Desperta os olhos com os beijos suaves do amado.

Subitamente, um frio invade o quarto onde tinham se aconchegado à noite, ambos se aqueciam num edredom leve e coração em chamas.

Quando o amado teve uma brilhante ideia de irem ao bosque atrás do chalé onde estavam. Cenário altaneiro com cadeira de balanço na sacada. 

Sentiam que estavam vivenciando radiosamente, o crepúsculo da vida com suavidade, acrisolaram toda  tensão cotidiana.




sexta-feira, 21 de março de 2025

Manifestação Divina

 




(foto do filho - Praia da Costa - Vila Velha ES)



Num lugar apaixonante, foi residir já por duas vezes na imediação da cidade, da outra, a escolher o súpero. 

Pela circunvizinhança de predileção, não acedeu ao amargor nem aos reveses.

Contempla a reta do horizonte, só sente puro amor.

No vaivém das ondas, se alegra todos seus dias, magnetismo é  viver num paraíso pleno de instantes mágicos de alegria. Pela redondeza, se reinventa sempre, se despoja de dores. 

Tinha determinado permanecer  até receber alguma pista diferente lhe ser oferecida, não tinha dissabores. 

Não havia como consentir o desguarnecido, mirar o mar azul  era  seu paraíso, peregrina num passe de condão, é  o lugar mais lindo do seu Estado ao seu modo de sentir.

Ondas vão, ondas vêm,  ela perscruta, faz ginástica, há  algo muito atraente,  a cor do  sagrado mar. Azul ou verde não importa,  é  um espetáculo a amar.

A sedução acontece em seu coração ansioso de afeto, não sente disposição de abandonar o paraíso abundante de flor. Não percebe ser  ilusão, tudo é pura Manifestação Divina.

Vazio? As ondas do oceano sagrado a levam para um recuado, a urbe a acolheu com afagamento e lhe é grata. 



quarta-feira, 19 de março de 2025

Equinócio Outonal


(foto pessoal)

Era arremate de março, foi deambular pelo campo. Distante, ficou embevecida com as montanhas em tom azulado.

Andejou muito até se extenuar. Sentia muita sede, se questionou se não era um misto de desejo na alma, de secura de afeto, de fraternidade, de paz na humanidade.

Um pouco distante dela, estava uma cisterna, um duto de bambu onde corria água fresca.

Saciou a vontade de fluído puro, uniu suas mãos como uma concha e sorveu a delícia natural que o Altíssimo oferta com prodigalidade.

Quando ia prosseguir seu passeio campal, num dia quase outonal, percebeu, com hilaridade, que havia jerimum recém colhido na horta próxima.

Recebeu a leguminosa como uma pista de que seria frutuosa sua estada naquele povoado tão bem-quisto.

Levou e, no fogão à lenha, fez para o jantar uma abóbora recheada com camarões para o deleite da irmandade que a acolhia.

Adornou o prato com as folhas nas cores outonais que lhe outorgou um charme todo extraordinário.

Sua estadia por ali foi muito aconchegante.


Porções Amorosas


(foto pessoal - Praia dos Namorados- Guarapari - ES)

Um certo casal enamorado dava cobiça aos que o circundavam.

Tinha uma cumplicidade ofegante, em tudo conciliava.

A maior era os momentos descontraídos em que podia deambular pela Praia dos Namorados.

Ambos preenchiam seus dias bem produtivamente, não se desviavam de seus comprometimentos diários.

Nada era munição para darem desculpas aos impulsos dos dois corações amorosos, parceiros que eram. Em alguns períodos do dia, se encontravam, por alguma razão, sempre davam um jeito.

Por sua vez, ela era toda afeição para com seu amado.

Passeavam, calmamente, pela areia da orla e até trajados inapropriadamente, pois tinham que dar crédito à ocasião que oportunizavam ser a ideal, seja como estivessem, se encontravam, num momento fugidio que conquistavam.

Acontecia algo inusitado quando se assumiram como casal à beira-mar, era tanta turbação que ficavam muito tempo silenciosos, só se abraçando, com carinhos meigos.

Experimentavam pura ternura a dois. Até o cãozinho dela se calava comovido. O mar se recolhia calmo. Tudo tomava ar orvalhado ante o amor compactuado na incondicionalidade. O silêncio do coração só era interrompido para as despedidas, num até breve que o coração não desejava, mas era necessário.

Prodigioso amor que os imbuía de espírito de aconchego pródigo. Como almas gêmeas onde um adivinhava os sentimentos do outro com uma perspicácia que só o afeto benfazejo pode gerar nos corações que se querem bem.

Um dia, na mesma praia, nunca mais os viram passear por lá.

Foi-se para sempre após um incidente, não sem antes lhe dizer em baixo tom ao ouvido, como que sussurrando:

-Cuida-te, querida!

Não tinha impulso para falar mais um A.

No que lhe concerne, ela não podia sequer mais passar por lá na praia em que eles passeavam tanto, os seus olhos se debulhavam em lágrimas que se mesclavam ao mar, formando poças de amor azul.







Um Livro

  INSPIRAÇÕES FURTIVAS O blog foi transformado em livro...