(foto pessoal - Praia dos Namorados- Guarapari - ES)
Um
certo casal enamorado dava cobiça aos que o circundavam.
Tinha
uma cumplicidade ofegante, em tudo conciliava.
A maior era os momentos descontraídos em que podia deambular
pela Praia dos Namorados.
Ambos
preenchiam seus dias bem produtivamente, não se desviavam de seus
comprometimentos diários.
Nada
era munição para darem desculpas aos impulsos dos dois corações
amorosos, parceiros que eram. Em
alguns períodos do dia, se encontravam, por alguma razão, sempre
davam um jeito.
Por
sua vez, ela era toda afeição para com seu amado.
Passeavam, calmamente, pela areia da orla e até trajados inapropriadamente, pois
tinham que dar crédito à ocasião que oportunizavam ser a ideal,
seja como estivessem, se encontravam, num momento fugidio que
conquistavam.
Acontecia
algo inusitado quando se assumiram como casal à beira-mar, era tanta
turbação que ficavam muito tempo silenciosos, só se abraçando,
com carinhos meigos.
Experimentavam pura ternura a dois. Até o cãozinho dela se calava comovido. O mar
se recolhia calmo. Tudo tomava ar orvalhado ante o amor compactuado
na incondicionalidade. O silêncio do coração só era interrompido para as despedidas, num
até breve que o coração não desejava, mas era necessário.
Prodigioso
amor que os imbuía de espírito de aconchego pródigo. Como
almas gêmeas onde um adivinhava os sentimentos do outro com uma
perspicácia que só o afeto benfazejo pode gerar nos corações que
se querem bem.
Um
dia, na mesma praia, nunca mais os viram passear por lá.
Foi-se
para sempre após um incidente, não sem antes lhe dizer em baixo tom
ao ouvido, como que sussurrando:
-Cuida-te, querida!
Não
tinha impulso para falar mais um A.
No
que lhe concerne, ela não podia sequer mais passar por lá na praia
em que eles passeavam tanto, os seus olhos se debulhavam em lágrimas
que se mesclavam ao mar, formando poças de amor azul.
.jpg)