(foto pessoal - Praia da Arrebentação - Guarapari - ES)
Sentia-se
muito cabisbaixa, andava pelas veredas meditando em sua vida, em como
comprazer seus dias.
Nem
se havia dado conta de que era Carnaval e um saltimbanco dela se
aproximou devagar.
Em
princípio, lhe deu muito receio de ser um salteador dissimulado.
Afastou-se, despistadamente, como costumava fazer quando algum estranho se
aproximava dela. Inclusive, rezava, baixinho, a oração de São
Cipriano que lhe havia ensinado uma religiosa para espantar pessoa
mal-intencionada de todo gênero.
Na
realidade, constatou que era um arlequim e ele continuava a segui-la
pelo passeio afora. Ela olhava tão de relance que nem havia notado a
tal inventividade direito.
Como
ele não se afastava nem com a oração, ela entrou num supermercado
aberto. Ficou por lá um tempo hábil, viu preços, comprou algo para
não sair de mãos vazias, tomou um café, nada de ter vontade e ir e
enfrentar o fantasiado.
Por não ter mais o que olhar, resolveu se aventurar e arriscar a ver
os ares lá fora da alameda já bem povoada pela hora que se
adiantava. Enquanto examinava as mercadorias, pensava, num misto de
nostalgia, em algo que tinha lido uma certa vez e não lhe saiu da
memória, se acalmou mais.
Botou
o rosto para fora do mercado, uma bátega de confete e serpentina caiu
em cima dela, ficou mais ainda apoquentada, era de dia e não estava
ainda na hora de tais graças típicas da época carnavalesca. Em
horário noturno, não costumava sair de casa, não se deslocava de
jeito nenhum da sua moradia.
Não
se conteve, estava apavoradíssima mesmo tentando disfarçar, quando o
tal encenado começou a gargalhar alto. Do carro, saiu uma bailarina
de poucos aninhos e uma colombina maior que logo deu a mão à
pequenina.
Estavam todos paramentados, ficou perplexa, sem nada entender, mas,
pela gargalhada, sentiu algo doméstico.
Era
mesmo sua família que chegava de viagem de surpresa e lhe queria
pregar uma pegar a fim de fazê-la contente.
Ufa!
Pensou, achando tudo uma interessante lorota e agradecendo pelo bom
pasmo que lhe haviam feito e, em especial, ao tal mascarado com
muito senso de humor desde pequenino.