sexta-feira, 19 de junho de 2026

Um Encontro

 


Todos os dias, ela sai a caminhar. Primeiro, vai sem nada, apreciar e exercitar tão somente.
O percurso é sempre o mesmo, após o café matinal, a maratona de sempre, porém o inusitado acontece Não enjoa, uma novidade pode não ter, entretanto, o cenário já é costumeiro.
O percorrido durante oito anos ininterruptos se faz novo.
Seja pelo tom do mar e do céu, seja uma ave que pousa lhe trazendo recordações, seja pelo seu próprio ânimo que pode alterar para nelhor a cada dia, fazendo com que ela veja mais ainda bela a onda que bate na pedra na Praia da Arrebentação e a espia da Praia dos Namorados
Seu amado mar a retém, com ele, marca um encontro diário inigualável. Sem ele o dia não é o mesmo.
Andarilhar pelo calçadão cotidianamente é pura amorização do seu eu real.
A maresia a inspira, lhe enche de vigor.
Mais tarde, quando o sol se afirmava, volta a se abastecer de vitamina D, vai à praia com sua cadeira, sua garrafa de água saborizada de limão e maçã.
Decorridos alguns meses de frequência assídua num verão e outono que ainda não se firmou por aqui, foi uma delícia, a maré a banhou sem ela sair do lugar, uma maravilha. Não era ela que ia ao seu encontro a lhe saudar e banhar, sentada na sua cadeira. Uma verdadeira gostosura ser desejada por ele.
A impressão que lhe dá é que ele sempre a amou e ela nunca daqui saiu.




quarta-feira, 3 de junho de 2026

Livro Sagrado

 





Chamo-me Livro Sagrado, tenho mais de dois mil anos. muitos me leram, uns por curiosidade, outros por estudo, já alguns, para pontuarem seu viver.
Quem me lê, vê tantos cenários diferenciados, desde o deserto ao oásis, dos povoados, às cidades de pedra.
Umas pessoas sentem perder a fé, tem tanta figura já explicada pela ciência ao longo dos milênios... parece que estou em desuso, fora do tempo contemporâneo. Além do mais, não gostam muitos de serem questionados em seu modo de proceder, teriam que mudar de vida e não estão mais dispostos. Eu dou trabalho aos duros corações.
Outros seres humanos, justificam suas proposições, alegando estarem sabidos como verdadeiros doutores da lei. Têm fariseus que me carregam embaixo do braço ou abraçado ao  peito, mas não me vivem, escolhem as páginas ou trechos do que lhes apetecem somente.
Já encontrei quem me deixasse morar no sótão da sua residência o ano quase inteiro, fui presenteado por pessoas de mais idades aos mais jovens e eles não me querem mais em suas estantes, muito menos em seus corações. 
O tempo encheu-me de poeira, fui ficando amarelado, como a cor do sol que só via, em muitos anos, no final do ano, quando arrumavam um pouco a bagunça do lugar onde me colocaram e o astro-rei invadia o espaço me dando um pouco de alegria. Aí sim eu sonhava em subir as escadas e tomar um lugar de destaque no Natal para enfeitar a casa dos meus donos. 
A moça que fazia a limpeza, me pegava, tirava meu pó, me dava um ósculo e me punha no centro duma mesinha com toalhas vermelhas com bordados dourados. Enquanto limpava a casa, os donos passavam o dia fora nas compras de final de ano e ela me lia com devoção, Eu me sentia útil de novo,  sabia que ela me amava e iria aplicar à sua vida o pouco do que me lia entre seus afazeres e outros.
Enchia seu coração de amor ao próximo.




quarta-feira, 27 de maio de 2026

Outono Tropical

 

Um retrato do outono por aqui está contradizendo, por ora, a nova Estação.

Vamos à praia, o mar agitado não dá para ficar muito tempo sentada na cadeira na areia preta (monazítica). Poucas pessoas, no máximo uma meia dúzia comigo, cada qual bem afastada uma da outra. Só uma senhora vem puxar assunto sobre a questão da praia estar vazia. acabou o verão e as aulas estão de vento em popa.

Amo passear no outono, ver os barcos parados nos ancoradouros, parece que estão como os seres humanos, se preparando para hibernarem.

Por sua vez, o outono nos inspira à reflexão, é epoca especial para deixarmos nossos barcos mais protegidos das intempéries da vida.

Hoje cedo, o salva-vidas teve trabalho para uma pessoa resgatar, pois o mar estava bravio. Dizem que anunciando muitas chuvas.

O barco para mim tem significado especial imagino-me andando num lago sereno, apreciando um lindo poente. Nem sempre há a possibilidade. Um cenário idílico inspira.

Um barco abandonado me dá lástima, é triste ver seu estado vegetativo numa praia deserta.






quarta-feira, 20 de maio de 2026

Caminhada Diária


Tão  logo desço  do edifício,  já estou de frente para o mar.

É  um bálsamo gigante o azulão à  minha espera.

Posso descer triste que, em seguida, vem a alegria interior a me encher de regozijo o coração. 

Nossa rua nos motiva, normalmente, a anterior tinha flores por ela e agora, tenho o mar pertinho.

É  uma rua arborizada,  no outobo o Criador me apresenta um cenário ainda mais lindo com árvores castanhas... As folhas tonalizadas de ocre me dão um clima interior de pacificação. 

A rua pessoal é  um estímulo a caminhar por ela, a ter ânimo de dias melhores e abençoados. 

Amo minha rua e todo o silêncio que atravesso para chegar na orla esperada a qual me dirijo agora após escrever.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Elisa


Elisa caminhava atentamente ao seu redor, procurava se esquecer, que fosse por um tempo, de problemas corriqueiros cotidianos. Aliviava seu espírito que o mal tentava manter ansioso.
Vinha uma avalanche que parecia iria enterrá-la viva, ela confiava em Deus somente e rezava, no final do dia recebia uma notícia ou algo que iria resolver tal aparente dilema gigantesco.
Quando a adversidade vinha, sentia como se fosse um elefante à sua frente de tão grande ao seu pequeno poder sem que o Pai Supremo se colocasse a frente de tal coisa.
Aprendia, dia após dia, que só em Deus se pode vencer.
O elefante se transforma em formiguinha à procura de um docinho para degustar, faminta de serotonina.
Aquilo que, em princípio, inspirava poder, força, que a desestabilizava, se transformava em paz, prosperidade e Proteção Divinal. Ele que é lealdade, paciência, inteligência, longevidade, estabilidade.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Instinto Materno




Um serzinho indefeso nascia no interior de uma cidade pequenina, a chamaram com o nome de flor.
Mãos poderosas a acolheram cá na Terra. Foi graças a estas Mãos que ela viveu, cresceu e ficou bem madura.
Como uma cordeirinha, filha de um cordeiro, tão passivo e bondoso, ela sobreviveu.
Ele a acompanhou nas vitórias, dizia-lhe emocionado: - Muito obrigada, minha filha.
Pedia-lhe cheirinhos, lhe dava outros em retorno.
Dava um pequeno cascudinho na cabeça para ver se o coco estava maduro. Era alegre, seu bom humor fê-lo grandes desafios.
Era tão bom, mas tão bom, que tinha o apelido de "banana" (homem molenga, palerma) pelos seus familiares, uns em tom de brincadeira, outros não.
O cordeiro foi envelhecendo, os papéis foram se invertendo, de cuidador, precisou ser cuidado.
Ambos eram pacíficos, concomitantemente.
Ele só fez o bem a muitos e, no final da vida, sua cordeirinha estava a seu lado, foi ela que lhe deu cheirino e lhe agradeceu por tudo:
- Vai com Deus, meu pai! Obrigada por tudo.
Seus cheirinhos, como se fossem lambidinhas, ficaram inesquecíveis e ela sente muita saudade dos seus carinhos desde sempre.


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Vida Colorida


(foto pessoal Portugal)

Teve desilusão muito triste,  desolação em tom amarelo  desesperador, lhe deu muitos anos de trabalho ao coração,  Com semelhanca  a um tempo castanho do seu existir  
Experimentou um furacão  em seus sentimentos  no passado, a vida lhe vestiu de violeta, foi o luto do seu viver durante  décadas  de solidão  de alma. 
Eis que  a felicidade lhe bateu à porta! Um milagre do céu azul aconteceu nela por inteiro 
Associa cores aos diversos  sentimentos que viveu. 




Um Livro

  INSPIRAÇÕES FURTIVAS O blog foi transformado em livro...