segunda-feira, 28 de julho de 2025

Amizade aos Viridários


(foto pessoal)

Era uma moça bem prendada, uma jardineira fiel ao seu jardim, cultivava flores como se estivesse diante de meninos pequenos que precisavam de toda atenção e carinho.

Nem um bichinho de jardim ela desprezava. 

Usava fertilizantes  naturais para o bom desenvolvimento das plantinhas, ela deixava as lesmas, joaninhas, caracóis, borboletas, em paz.

Era bem consciente de que os vergéis necessitavam de paciência de chinês, ou seja, agia com se fosse ela  mesma uma lerda, ia com calma, tirava folhinha por folhinha e deixava cada uma se desabrochar de acordo com seu ritmo, não se antecipava à ação da natureza tão bela e certeira.

Aprendera com a vida, passo a passo, que nem tudo que se quer se tem, ia com toda pacificidade, dia após dia. 

- Para que pressa se todos temos garantido o infinito um dia, pensava ela.

É a única coisa certa que se tem, o mais é calmaria de Jó ou de tartaruga, quiçá, refletia ela.

O que a encantava mesmo era despertar e contemplar uma florzinha nova se abrindo em seu jardim. Não tinha preço para ela, dava uma sensação de esperança de dias melhores na selva de pedra onde a humanidade habita.

Cada elemento da natureza tem uma função, respeitava a cada um com complacência.





domingo, 27 de julho de 2025

Uma Quaresmeira Inesquecível

(foto pessoal)

Foi infante contemplativa da natureza desde pequenina, perambulava pela  rua de chão de terra, à casa de sua estimada avó, tocava na plantinha com seu dedo, ela adormecia. 

Êxtase, diante da quaresmeira rosada puxando para o lilás. Uau!

Cria que a vida fosse assim bastante florida, no verde alentador.

Cresceu, percebeu não ser, embora um milagre guardado na esperança mantivesse sempre em seu coração.

Como se comportar doravante?

Esperançar é seu lema de vida, avançar! Eia, menina!


sábado, 26 de julho de 2025

Saudosa Morada

(foto pessoal)

Teve uma saudável infância feliz, como a toda infante condiz, com uma assistência e um doce colo de pai íntegro, sem dolo. 
Residência modesta bem ajeitada, no lugarejo da antiga baixada.
Devaneava com altaneiros castelos, tão puros eram suas utopias!
Vizinhança sem poder conviver, brincadeiras de roda no grande quintal da casa, com inúmeros primos visitando a brincar. Um alívio era cantar, bater palmas, coração em festa.
Era um doce lar, até um trágico fim. Lá, tinha também um grande jardim e um parque infantil.
Nele, esteve até seu translado, para longe se foi com o coração tão magoado.
Subiu morros, desceu escadas, seu amado pai ao lado, ela o acompanhava.  Doce lembrança, embarga o coração, chora ao escrever sua antiga emoção.
Tinha uma varanda, ela a encerava, deixava brilhando, como gostava, com escovão, mais tarde a enceradeira, tinha a vida como alvissareira.
Num tristonho e sofrido dia, tudo acabou, para atrás de si seu lar ficou. Não foi só ele, ela também foi abandonada, refém do nada.



quinta-feira, 24 de julho de 2025

Conexão Amorosa

(foto pessoal - tela em acrílico pintada pela autora)

Numa residência muito humilde, sem mobília, morava sua moradora com simplicidade, sem impedimento que obstruísse a possibilidade do entrosamento na tristeza.

Permanecia de humor inabalável na dor e na alegria.

Simpática com todos, sem nada  que tirasse sua paz de espírito,  repartia amor e nada de desavenças com ninguém.

A partir do modo de viver assumido, esvaziada de maldade, fazia aos seus vizinhos somente o bem sem discriminar a ninguém .

Não desunia, só enlaçava, amava e servia.





Sobrevoar

(foto pessoal)

Planejara uma viagem aérea a fim de visitar sua amada.

Comprou uma linda camélia com o pretexto de presenteá-la.

Pediu à atendente para fazer uma linda embalagem, num cesto bem rústico, encantadoramente bem trançado.

Não gostaria de cometer nenhuma asneira, planejava tudo com dedicação.

Enquanto o avião sobrevoava o mar, refletia sobre como se assemelhava a um feitiço o tanto que amava sua namorada.

Quando aterrissa no aeroporto, se depara com outro presente, que lhe sucinta sua atenção, uma elegante peça de tapeçaria. 

O material não era imprescindível, almejava mesmo era presentear o seu amor.




quarta-feira, 23 de julho de 2025

Memórias Seletas


(foto pessoal)

Uma vez que fosse, ela queria ter seu amado junto a ela, tendo o mar como testemunha, afastando de vez toda dor do seu coração enlutado. Sempre teve o desejo de fazer o seu amor felicíssimo.
A paixão deles foi interrompida pelo destino, restou-lhe as memórias seletas na liberdade do amor todo deles, com renúncias de eternidade vividas.




Firmeza não Equivocada

 

(foto pessoal Emboacica Anchieta ES)

Um casal gostava de passear diariamente, bem unidos de mãos dadas. Consórcio longo e não só de aparência como a maioria dos demais na contemporaneidade.
Eram raros amantes, como quase não se vê, até se estranha na rua quando os vemos.
Houvesse chuva ou sol, como não eram de açúcar, mesmo sendo meigos e doces, no calor ou no frio, lá estavam ressaltando o valor do amor legítimo. Um não abandonava o outro. 
Num belo dia, a garoa apertou muito e eles ficaram apreensivos com a rua que se alagava aceleradamente.
Andavam para cumprirem o percurso cotidiano e o chuvisqueiro, que se tornava bravo, inundava a redondeza.
Uma ideia iluminada acende a mente do senhor que propôs à sua amada esposa a irem a uma igreja próxima a fim de se refugiarem.
Assim fizeram, permaneceram na pacificação na capela do Santíssimo sem se aventurarem aos alagamentos pois a igreja estava no alto e nem sequer pegariam constipações. Na idade deles, todo cuidado com a saúde é conveniente.
Confiavam em Deus, foram salvos pela sua fé afincada, sem inadvertência.






Coração Rosado

Sai a caminhar, sabia de antemão, o encontro tão esperado, aconteceria naquele dia, seria um momento de muita emoção, iria espreitar  à dire...