Tempo vem, tempo vai, aqui na Terra tudo se desfaz.
Tempo vem, tempo vai, aqui na Terra tudo se desfaz.
Está como barcos parados à deriva no mar.
Da vida, é remadora, uma mulher para amar.
Há nuvens acinzentadas, no azul são entremeadas, tristeza nos barcos. Estão à espera, por ora.
Oxalá possa navegar sem pressa, com alegria, num compasso, devagar, no navegar, hegemonia.
Deus a leve como embarcações, suavemente, mesmo desolada, com a sua alma arrancada, como carta de alforria.
Um dia será liberta, haverão de a valorizar! Tem a alma aberta, disposta a servir e amar.
Era sonhadora por excelência. Acreditava nas pessoas e via, com o passar do tempo e com pesar, como era presa fácil de lábios traiçoeiros.
Era mais um sábado de calor, céu azulado lindo.
Pedia praia, com certeza, mas, com agitação, não lhe apetecia nada.
Foi a outra praia mais reservada.
Escolheu localidade sem acesso de ônibus para ter um pouco de distração sem agitação e com o conforto ao estar junto da família.
Praia familiar, frequentadores pacíficos em busca de sossego, sombra e água fresca, já que o couler por lá rolava em cada mesa, liberado. Estava muito calor, Verão no pico.
Dia de comer amendoim tostado ensacado, batata frita, picolé gourmet. Muito suco natural.
Molhou seus pés, caminhou nas águas morninhas, uma delícia.
O visual lindo e a praia que tem fama de ser frequentada por turistas vistosos a encantaram de verdade. Na verdade, o que mais apreciou foi o panorama formoso que a cercou sob o manto azul de brigadeiro belíssimo.
Foi um domingo memorável, saiu cedo a caminhar e só viu belezas.
Claro que ficou perplexa, com o que visualizou, havia gente que nem formigueiro por todo lado.
A praia estava superlotada, de todos os cantos minaram pessoas como se fosse uma fonte na natureza a céu aberto.
Um ônibus muito moderno e elegante descia com turistas, o povo fica admirado com tanta beleza de sua cidade do coração.
Exatamente assim estava a praia que ela admirava a uma certa distância, respeitando as medidas de isolamento necessárias: com lanchas, barcos, jet sky, iates pequenos, pranchas coloridas e muito guarda-sol de todos os tipos e tons, um verdadeiro carnaval marítimo.
Assim que retornou, depois uma hora de caminhada pela calçada paralela, sob sombras das árvores, já tinha planejado escrever sobre o visto e o que a extasiou lá fora.
Ela procura estar em áreas mais reservadas onde possa ouvir não mais do que o ruído suave das ondas beijando a areia, uma delicadeza que admira muitíssimo.
O seu máximo é apreciar os arabescos, na Praia da Arrebentação, das vagas mais exitosas batendo nas pedras.
Mesmo em casa, gosta de ouvir canções num tom razoável. Mora sozinha, mas seus ouvidos merecem cuidado.
Sonoridade existe para saborear músicas, ter alerta de perigos ao redor, comunicar uns com os outros, não para entupir de besteiras a mente alheia.
As canções que entoam ruído estridente possuem uma letra horrorosa, normalmente, sem pudor algum e com uma mensagem decadente. Os ouvidos morrem de vergonha. Coitados!
Já são suficientes os carros de propaganda em volume assustador, sem anuir os horários de repouso após almoço, se têm idosos nos lares ou autistas até mesmo animais que se amedrontam facilmente.
Sai em busca de cromatizar seus dias, todas as manhãs surge o contentamento. É na deambulação matinal que redeposita energia usual, agradece com ânimo e generosidade o recém chegado momento .
Nada se abnega a escapulir do cuidado do Criador, solicita com fé, ora com reconhecimento, eleva seu coração, sem ingratidão.
Vê companheiros como primores, é caçadora de delicadezas, vivencia serem mimosas em matizes.
Pérolas perfumadas, amor, bondade e esperança, postas pelo Senhor do seu âmago.
Flores lhe outorgam todo direito, põem seu espírito contrito, enfeitam seu viver.
Seu íntimo sente-se abençoado, bendiz as multicolores, são seus fraternos amores.