Era uma criança obediente, desenvolveu um medo crônico e, consequentemente, uma disidrose, causada por estresse.
Desde a adolescência, tinha o sábado para faxinar a casa como a Gata Borralheira. A exigência pior era na hora dos móveis rústicos, estilo Luís XV, cheio de voltas para passar óleo em todas as curvas. Agachava-se, cansava bem, suava, tinha tudo que sair perfeito.
Outra tarefa bem puxada era passar o escovão no chão de cera vermelha que ela encerava, mais tarde teve enceradeira, aí facilitou, gostava de lustrar o piso, já com taco.
Saía, literalmente, do estado dos contos de fada de criança para outro estado de alma.
Com um modo de vida de muita pressão por exigência de nota dez em todas as disciplina na escola e outras mais por ser a mais velha, esteve à beira de uma revolta na explosão da adolescência. Não havia espaço para tal. Tinha que esperar a maioridade para a sua liberdade, pois nada podia fazer.
Na fase adulta, precisa manter a bondade, em meio aos maus tratos, não deve transferir seus traumas aos semelhantes. A esperança precisa ser, periodicamente, reavivada.
Afinal, não pode ser dependente de um príncipe que a venha libertar e lhe dar mordomias que nunca teve.
Na melhor idade, os encantados não existem por aí dando sopa... os últimos dos moicanos estão comprometidos.
Aprendeu que saber limpar uma casa é tão importante como limpar sua alma (seu espírito) de tudo que desagrega. Faz seu serviço doméstico com satisfação e sem nenhuma intimidação.
Como ela reage ao que viveu?
Lendo e escrevendo, é a 'fuga' mais livre que ela reconhece e vive.

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