quarta-feira, 15 de abril de 2026

Da Pureza de Alma




(foto pessoal)



Nasceu com cara de otária, bem como muito mais tarde lhe disseram seus filhos,  cada qual à  sua maneira. 

A filha um dia lhe disse que ela tratava leões como se fossem gatos... um filho lhe alertava sobre como todos se aproveitavam dela e o outro já dizia explicitamente para ela deixar de ser trouxa (otária). 
Ela confiava nas pessoas como se elas fossem como ela...
Não saiu como sua avó mineira...
No Brasil,  sabemos que os mineiros têm fama de muito desconfiados. 
Hoje em dia, ela está crendo que é  verdade. 
Não se pode confiar em quase ninguém.
Mesmo aqueles que parecem confiáveis podem nos trair. 
O que ela não aprendeu ainda, quase entrando na fase da sétima dezena de vida, é confiar desconfiando.
Será  que ela vai aprender depois de tanto baque na vida?
Deus permita que sim.
Confiar desconfiando, Diana!
O mundo não é  cor de rosa como nos contos de fada que você  leu na infância. 



Um comentário:

  1. Querida Roselia,

    seu texto não fala apenas de Diana ele fala de tantas mulheres que passaram a vida oferecendo o coração inteiro, como quem nunca aprendeu a medir o próprio gesto. Há uma dor bonita aí, sabe? Bonita não pelo sofrimento, mas pela pureza que resistiu mesmo depois de tantos baques. Porque é preciso ter uma coragem silenciosa para continuar sendo boa quando o mundo insiste em endurecer a gente.
    Mas também há um chamado… quase um sussurro firme: o de aprender a se proteger sem deixar de ser quem se é meu pai sempre me diz.
    “Confiar desconfiando” não me soa como perder a doçura, e sim como colocar uma porta naquilo que antes era sempre passagem aberta. Nem todo mundo merece entrar com os pés sujos na nossa alma.
    Diana não falhou por confiar. Talvez tenha apenas demorado a entender que o amor também precisa de limites para sobreviver.
    E sabe… nunca é tarde para esse tipo de aprendizado. Há amadurecimentos que só chegam depois de muitos empurrões e ainda assim chegam como quem salva o que resta de mais precioso: a dignidade de continuar sendo quem se é, mas agora com mais cuidado.
    Eu aprendi quando precisei nestes tempos.

    Com carinho,
    Fernanda

    ResponderExcluir

Outono Tropical

  U m retrato do outono por aqui está contradizendo, por ora, a nova Estação. V amos à praia, o mar agitado não dá para ficar muito tempo se...