quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Urdir e Cantar




(foto pessoal)


Tramava o tempo todo, não ficava no ócio, tinha a convicção interna desde há anos que era salutar viver urdindo e cantando.

Era uma pessoa da paz e do bem, tinha sensibilidade para algumas formas de arte.

Como observava seus semelhantes, tinha plena certeza de que não deveria gastar seu precioso tempo com armadilhas sórdidas. 

Usava seu talento para tecer nas variadas vertentes. 

Com palavras, formava um conjunto que seu coração ditava e, quem a lia, dizia que ficava emocionado. Tinha o dom nato da sensibilidade.

Com agulhas e linhas, imaginava, maquinava trabalhos artesanais,  desembaraçava fios com toda paciência, tricotava, crocheteava, passava horas premeditando com o que ia se ocupar. De fileira em fileira, concluía, depois de urdir e trabalhar cantando baixinho em seu coração.

Ia enredando e desenredando a vida, as poesias, as confecções que suas mãos conseguiam fiar.

Não se embaraçava com linhas. Ah! Não!

O que lhe causava embaraço era a injustiça, as trapaças, os enganos. Isso sim.

Desde nova, na juventude, soube que desvendar certos embaraços da vida teria que enfrentar e ganhava uma coragem que sabia vir do Alto.

Não tinha gato que a deixasse desconcertada quando as linhas reais se misturavam.

Aprendera com a vida, que o Altíssimo a ajudava a desatar nós. Para emaranhados difíceis, tanto no sentido literal como no figurado, tinha Deus como companheiro Fiel.

A fantasia da urdidura lhe acalmava seu puro coração.

Vivia aos cuidados das linhas divinas e dos fios de ouro que o Espírito lhe soprava.

O que eram pessoas que tramavam o mal para uma mulher simples que sabia poder contar com       o Sopro Divino para desatar todos enroscados dos fios mais difíceis do viver?

Definitivamente, passaria toda sua vida a usar tramas para o bem e a formatar belezinhas para sua pequenina.

Em suas tardes cantantes, afastava toda arapuca que armavam contra ela.




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